quinta-feira, janeiro 24, 2008

O SABER amoroso do vento

A loucura que leva o vento a destelhar casas e formar circulos ligeiros e assustados, é algo chamado desespero. Como se a natureza depositasse todos os males humanos, como se ela, logo depois, desse um grito e rastejasse devagar ao planeta vizinho reclamando das proezas.
Afasta e limpa tudo, renova com fé como um pássaro que canta à noite desvazendo o sono do bebê.
Tudo nunca fica no lugar depois, as pessoas percebem, então, que acima delas há forças incríveis a rodopiar o mundo.
E, além de materia e atómos, o recado é dado todo dia: não se esquecer de recomeçar a amar; como se o amor esquece por si próprio o que é, misturando-se aos desejos ilusórios dos homens.
Quem se deixa emaranhar-se ao vento, quem permite ser tocado por ele, como um algodão fofo e puro, sabe o que é amar; compreende tambem que não basta aparentar ser uma casa firme e forte, é preciso que, em situações de emergencia, o coração já esteja preparado para todo o tipo de ventanias.
Por que o amor não varre nada, ele leva o ódio e saber que um dia, tudo pode se converter por não sabe a honestidade de tal supremacia.
O amor não cabe nos sentimentos, é algo maior.
Não cabe muito menos e faróis queimados, ele ilumina mesmo não tendo fome de luz.
O amor não permite permitir-se levar ao desespero da última palavra; é como um barco de naufraga sem botes de salva vidas.
O vento não leva nada senão toda a incongruencia formada na superficie humana, como uma vassoura que varre o chão para não ferir pés atordoados do tempo.
O vento, movido pelo amor, leva em desespero, tudo aquilo que contrária o amor.
É por isso que ele torna-se louco, porque sabe amar.

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