sexta-feira, junho 24, 2016

Ele.

Olfato apurado, sinto o cheiro dele impregnado no travesseiro. Delírio! ele não esteve alí! ''Acorda, moça'', grito internamente, numa tentativa de me livrar desse delírio olfativo. A noite, depois dessa visita, foi uma tormenta. A cabeça latejava mais do que o coração. A razão brigava com a emoção. Eu jamais voltaria ser aquela adolescente desgarrada mas cheia de romances vomitados por dentro. Não, por favor, jamais! Só queria ser racional, durona, a porra louca. Não quero, recuso-me a pensar que existe algum querer por ELE aqui dentro. Querer aquela pele morena, lhes garanto, é tortura latejante. É ensopar os sapatos em um dia de verão e ficar resfriada. É querer se afundar em um beleza quase demoníaca e viciante. O cheiro dele, entretanto, ainda persiste na minha mente. É que o coração, quando arma, deixa marcas eternas.