Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração (Antoine de Saint-Exupéry)
sexta-feira, junho 24, 2016
Ele.
Olfato apurado, sinto o cheiro dele impregnado no travesseiro. Delírio! ele não esteve alí! ''Acorda, moça'', grito internamente, numa tentativa de me livrar desse delírio olfativo.
A noite, depois dessa visita, foi uma tormenta.
A cabeça latejava mais do que o coração. A razão brigava com a emoção. Eu jamais voltaria ser aquela adolescente desgarrada mas cheia de romances vomitados por dentro. Não, por favor, jamais! Só queria ser racional, durona, a porra louca. Não quero, recuso-me a pensar que existe algum querer por ELE aqui dentro.
Querer aquela pele morena, lhes garanto, é tortura latejante.
É ensopar os sapatos em um dia de verão e ficar resfriada.
É querer se afundar em um beleza quase demoníaca e viciante.
O cheiro dele, entretanto, ainda persiste na minha mente.
É que o coração, quando arma, deixa marcas eternas.
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