quinta-feira, maio 18, 2017

Solfegio.

´´É estranho como você pode olhar para algo uma vez e ver uma coisa, depois olhar uma segunda vez, e ver algo completamente diferente. é como gostar muito de uma banda e depois perceber que ela é ruim. ou como sentir algo por alguém muito querido e um dia perceber que sente ódio. pode até ser como querer comprar muito uma roupa e depois perceber que a peça não serve mais seus olhos. é como lutar para conseguir alguma coisa e um dia perceber que você simplesmente queria todas as coisas erradas. de qualquer forma a febre de girl bands não ia durar para sempre, muito menos seus 11 anos. de qualquer forma existem pessoas próximas que são capazes de injeva, traição, egoísmo. todos sabem que a moda muda e esperançosamente o gosto amadurece. mas ninguém pode prever o final, quando a tristeza chega disfarçada de felicidade. ou que o tempo pode congelar algumas possibilidades. é tudo uma questão de mudança, o mundo precisa girar e o invasivo tempo precisa passar. é, mas existem sim ocasiões em que ele para. é raro... mas também podemos olhar para alguma coisa duas vezes e continuar com a mesma imagem. acho que no fundo sabemos que essas são as coisas que importam de verdade, as que não mudam com a estação, com o ano, com o vento, com a experiência. mas talvez neste mesmo fundo tenhamos medo de admitir, medo de estarmos apressados, medo de que podemos mais uma vez errar, medo de ficarmos conformados e acomodados, ou simplesmente medo de dizer em voz alta, que nem sempre temos as respostas, mas muitas vezes podemos as adivinhar. as respostas, à proposito, nem sempre facilitam as coisas. nós aprendemos na aula da matemática; precisamos saber usar a fórmula para atingir o resultado. e então nós preferimos, fazer algo parar de pensar.´´

o que realmente importa?

''Existem coisas que quando vemos nos tocam. Existem coisas que quando ouvimos nos tocam. Existem coisas que quando provamos nos tocam. Existem coisas que quando finalmente entendemos nos tocam. Mas felizmente existem coisas que não vemos, não ouvimos, não provamos, não entendemos..... mas nos tocam. Nos fazem sentir... e amar. E o invisível, intocável, inimaginável e idealizado se torna tão amável quanto o tangível. Nesse momento... Nesse exato momento em que tudo parece tangível mesmo não passando de sentimentos...você pode talvez ter achado alguém mais real que qualquer pessoa que você jamais vai ver. E aí é hora de fechar os olhos para o resto do irreal real no qual nos apegamos. Deixar de sofrer com os pormenores. Parar de se importar com o desimportante, de nos puxar pra baixo e jogar mais areia em cima de nossas covas. Hora de ignorar, ser ignorante, ser cego como o amor deve ser, dar as mãos, e ser o quão feliz for possível. e fazer arte sem se preocupar nas medidas...''

Texto de 2006

E de repente você virou o rosto, e nos lábios resplandecia um belo sorriso, mais branco do que uma alvorada de verão. Cabelos negros ondulados e desarrumados, mas não perdiam o charme. Olhos claros, azul turquesa, como os do pai. Mas essa palavra só te traz lembranças ruins, e você procura, desde então não olhar em espelhos como os mortais costumam fazer, com medo de ter lembranças daquelas pessoas que a séculos te fizeram feliz. Sei disso pq numa noite dessas, com os olhos cheios de sangue, vc abriu o coração para mim. E ENTAO, desde entao, percebi que vc é mais humano do que muitos que andam por aí, e quando vc virou o rosto, eu vi o semblante de um anjo caído. Mas vc nào escolheu, vc foi escolhido, e isso só poderia te trazer sofrimento. As vezes vc pensa que sua beleza foi o começo de tudo. Pq ser tão lindo por fora e estar fadado por dentro a criar feridas cada vez que vc tem que tirar a vida de alguém?

Divagações profundas.

Pessoalmente, sinto maior proximidade com os anjos do que com uma ancestralidade que remonta a um passado pré-histórico no qual se concebe a origem da vida no lodo. E tu? Quaisquer que sejam os fatos com relação à hereditariedade humana, uma pessoa com integridade pode perceber um potencial que transcende as condições terrenas. De onde vem essa percepção? Certamente tem um impacto imediato maior do que especulações concernentes a uma ameba ancestral. Seria menos científico darmos ouvidos a essa voz intuitiva, do que ao processo laborioso do pensamento humano buscando contradições especulativas de evidências circunstanciais? O que é o homem? A triste conseqüência de chances insensatas? O mais complexo dos organismos e, portanto, a forma mais desenvolvida de vida que misteriosamente evoluiu da matéria viva mais elementar? Ou poderá ser que sua origem provém de uma instância mais elevada ao invés de uma inferior? Que tal olhar para cima em busca da resposta, ao invés de para baixo? O que seria olhar para cima? Bem, para baixo, neste contexto, encontramos um passado ancestral. Seria em direção ao que parecem ser derivações terrestres. Esta perspectiva nos leva a ver uma corrente de eventos com origem no vasto abismo do passado em direção ao sempre desconhecido futuro. A visão que se orienta para baixo é sustentada pela eterna aquisição de conhecimento sobre os fenômenos do mundo sob uma perspectiva temporal. A visão para cima, pelo contrário, nos faz lembrar a natureza eterna do momento presente e a causa maior do que existe nele. Tal causa presente será proclamada pelo sentido que temos do potencial transcendente dentro de nós: "Eu sou uma pessoa que aspira aos anjos! Posso não ter realizado todo meu potencial, mas sei que inerentemente está aqui para ser realizado". Dispendemos tanta atenção com a aparência das coisas, com os prazeres e dores, com a experiência do passado e as expectativas do futuro - em outras palavras, com aquilo que está abaixo - que o anjo transcendente desaparece de nossa visão. "Isso não existe!" diz a mente cética. Finalmente a pessoa se encontrará morta por dentro quando tiver perdido consciência do potencial de grandeza - seu sentido de afinidade com os anjos. Será alguma surpresa que tal pessoa acaba voltando ao pó onde encontra um sentido de afinidade? Que desolação! Que traição de si mesmo.

amor et dolor

Há no amor um querer incessante de tocar o ser amado e senti-lo por perto. O coração clama pela figura adorada e a procura em todos os cantos e outdoors da cidade. Parece um vício. Um vício bom. Mas, como todo drogado, há efeitos colaterais: é possível sim sofrer por amor e ser feliz ao mesmo tempo. Porque o amor pode doer as vezes, mas é uma dor boa que te faz sentir vivo.

Uma Isabel que nunca nasceu.

Ela é uma criança que nunca quis nascer. Veio ao mundo, e por fatores externos, foi moldada num tipo de criação que a fez estragada do jeito que é até hoje. Valores infantis que são apagados eternamentes, até mesmo quando vocÊ cresce.Quem sabe oque é ser tolhido sentimentalmente de sonhos infantis? um dia nós acordamos e perguntamos por essa lógica.Mas ela nunca notou que todos os seus problemas estão culminando lá na infancia soberba e paparicada por sua mãe; a senhora rainha. Não percebe a própria gravidade da psicologia egoista que se instalou em seu ser, e assim vai vivendo como um senhor feudal: mandona, tirana e ruim. De uma maldade enrustida, como diria Alice no País das Maravilhas.Ela acha que, dando dinheiro aos seus ´´amigos´´ estará ajudando à sua alma; procura redenção mas não acha. O cerne de seu problemas esta nos sentimentos!. É como um pássaro ferido e amedrontado que se recusa a sair da gaiola, e se o empurram para voar ao mundo, ele ameaça, fica agitado. Mas o pássaro, saibam, não sairá da gaiola, porque ele nasceu lá, e foi tolhido de todas as suas atividades; portanto, não conseguirá voar nunca mais!. Nós humanos, veja que maravilha, temos a oportunidade de recomeçar! e não importa qual seja o problema, sempre irá ter alguem perto de nós dando apoio. Basta que aproveitemos essa ajuda e deixar por uns minutos o orgulho de lado(e vc não sabe como ele pode ferir alguem!). Temos tantas virtudes que outros seres vivos não possuem! e veja só: transformamos os nossos nobres sentimentos, nobres atitudes e virtudes em COISAS ruins, destrutivas. Porque dormimos tanto? nesse estado inconsciente de alma? Ela é só mais um exemplo do nosso sonambulismo. E talvez não tenha culpa de ser o que é; eu me questiono. Será que terá um dia certo para ela acordar e olhar tudo nitidamente? curar sua miopia interna? eu espero. O que me leva escrever tudo isso é a compaixão que sinto por ela, embora por alguns segundos não pareça. Quero entende-la, na verdade, quero entender os humanos, e antes, a mim mesma. E por isso, por tal afeto, estarei entendendo a mim mesma; é um troca justa. Não que eu espero receber sem dar, o que eu faço é me doar na medida do possível(ainda me resta algum orgulho).

despedidas do passado.

As pessoas morrem a cada dia que passa, a cada hora, a cada expiração que seus corpos infectados por agrotóxicos a aditivos executam.Nós morremos aos poucos a cada dia, e não temos medo.Você não pode querer morrer porque você já morre todo dia, e não tem noção. Nós cumprimentamos a morte e ela não vai embora. Mas ela não pede um prato de comida, não emite um som, incomoda quem nos olha sem falar. E eu daria tudo para que ela falasse tudo. Células, células e mais células...você as percebe saindo pelo ralo? Não pensamos conjutamente porque achamos que estamos todos separados, somos egoístas, magoamos as pessoas que nos querem bem, julgamos a violÊncia externas a nós, enquanto no nosso interior, tudo acontece sorrateiramente. Lixo escondido. Não percebestes, querido amigo, que tuas Células morrem para alimentar as bactérias do mundo? Não percebestes com isso que tudo no mundo não se perde?Filantropias bacteriana! Nunca pensastes que esse teu corpo um dia foi um agregado de átomos de um fruta? Não vais morrer nunca, porque além do teu corpo, há a tua alma. Se não queres existir, não exista, há um modo bem simples de fazer isso: vegetar. Mas a morte amigo, a morte não te trará A REDENÇÃO. Porque ela é sagrada demais para atender aos teus míseros pedidos de covardia. Não que eu acho que vocÊ esteja vivo, na verdade acho que você sempre esteve como um zumbi pelo mundo. Não é isso que acontece quando não escutamos a nós mesmos? mas as escolhas foram tuas, totalmente tuas. E o milagres de tudo isso, meu amado, é que podes ressuscitar. Não perambular por aí, culpando tudo e todos. Não, longe de ofender essa tua morte de sentimentos, na verdade, não me incomoda; ela me desequilibra.O que me assusta(de ternura) na sua morte é que nela vocÊ está rindo. Meu primeiro impulso é tomar da morte seus caninos da volta.Denunciar o furto. Mas veja, eu não posso fazer nada por ti mais do que já tentei. Nem quando, num último grito de desespero que mandei pra ti em forma de email, tu percebeste o quanto eu me importava. VoCÊ não pode morrer agora. Não para mim, eu já me desapeguei de ti por mágoa, mas passa. Mas não podes morrer para o mundo, porque o mundo é vocÊ. Onde ficará tua arte, teus lápis?quem terá o mesmo talento para saber da gravidade que ali foi desenhada? VocÊ ainda precisa fazer a sua parte no amor : amor À si próprio. Espero que um dia você acorde, e reviva...espero de todo o coração. Já morrestes para mim, e eu entendo. A vida é feita de perdas, mas eu já fiz a minha doutrina contigo. Estarei aqui sempre, é só me chamar. Mas a morte meu querido, nunca deve ser chamada, a vida sim... E se eu escrevo estas palavras, entenda que, me identificando com a tua dor(estou morrendo lentamente a cada dia, morrendo imoralmente), eu tenho compaixão por ti. Altruísmo, empatia.Longe de querer te ferir, amar somente, e sempre. entendes? E, antes de tudo, Deus é analfabeto. Não ´precisa ler para entender, entende antes da leitura. Ele escuta o que pensamos. Nós é que precisamos escrever para provar que existimos e ler para ter uma segunda chance. Deus nos deu O AMOR PARA SERMOS ANALFABETOS E ERRAR A LINHA. Pense sobre isso, não sobre o que eu acho, penso. Pense sobre si. A morte é a intimidade que deveríamos ter criado em vida...

dias contados.

Existir para mim tem sido uma legislação. Não uma lei. O conjunto delas. Algum código civil que me diz para não parar. É difícil não parar. E todos esses momentos eu só queria que alguém me desse a mão para eu continuar seguindo. Sem mãos. Sem muita coisa a fazer a não ser procurar por Godot. Me espere. Espere. Não vá. Fique. Eis a vida uma procura desenfreada por nada

Desejos de morte.

E num breve sussurro ele despertou do pesadelo. Havia um homem perto de sua cama, mas sua mente estava turva e confusa; não conseguia distinguir realmente o que era ou quem era. Sabia que não era desse mundo,então pegou seu terço e, como era devoto!. Rezou até pegar no sono, não porque tivesse medo, mas por proteção. Mandou o espectro ir embora, mas ele persistia, continuava ali em pé a agourar o pobre rapaz. Mas não havia medo, só um indicio de susto; povoavam-lhe a mente apavorando-o, mas ele sabia das coisas do outro mundo e não lhe temia. Era esperto em tudo,conseguia aprender só pela intuição; quase um mago. Voltou a dormir mesmo com tudo ao seu redor indo de um lado a outro como um barco numa tempestade, o cansaço tolhia-lhe os membro e pensamentos, e então era fácil ser levado até um limiar de sono onde tudo acontecia: haviam dragões, serpentes e ventos furiosos, além de claro, o velho Tanatos, deus da morte. Como era bom dormir, pensava ele. A melhor parte da vida, já que podia-se viajar para outros mundos e esquecer por algumas horas a dura realidade do mundo. É por isso que Deus inventou os sonhos, para que não nos esgotemos na vida, dizia. Ele adorava fugir da realidade, seu passatempo preferido. Era um homem desapegado ao mundo material, e por isso sofria. Um dia, ele acordou em um outro mundo e percebeu que não era mais de carne e osso; deu graças a Deus, estava livre, finalmente livre...tinha voltado ao seu lugar de origem, e se sentiu feliz pela primeira vez na vida. Não uma história triste, é que ele amava a morte e era-lhe amiga. E embora a desejasse não tentava impor-lhe ao corpo. Sabia que um dia ele viria e que ela daria o renascimento para algum outro mundo melhor e mais leve. E eu bem o entendo, ah como entendo.

Em algum lugar do passado de 2008.

Decidi ser o que sou, sem muito adjetivos falsos e toscos, sem vaidade. Permiti aflorar por dentro e perceber o que havia de mais sagrado, permaneci com isso. Não sei se acordei, mas afinal, eu realmente deveria pretender tanta coisa assim? quando tudo o que quero é saber as forças sagradas que regem o céu e a terra. As vezes, na noite negra que se abre como um canto altivo de rouxinol, eu percebo que tudo nunca muda, tudo numa profundidade incomensurável nunca muda, porque ali habita a essência. Permanece sagrada, sempre. Sinto como se tudo viesse aos meus braços, me acalentasse. Uma mão invisível que passei pelos meus cabelos, o vento que bate no meu rosto ou o pássaro alegre que canta sem parar no galho - são todos tão puros e sagrados, tão perfeitamente lindos. Sem vaidades, torno-me simples, como sempre fui. Sem exigir respostas e fórmulas mágicas. O barco me leva e o vendo me guia ao coração. Permaneço no centro do mundo - o mundo que não existe e se exibe em mim, fundido como um oceano imaculadamente puro.

Em algum lugar do passado.

Eu corro em corredores tão brancos, com luzes tão puras me ofuscando, tento ir em busca da fonte luminosa, numa esperança de te achar. Como se o calor da luz me atraísse, e eu fosse uma pequena e frágil borboleta atraida lentamento por isso, como se o calor fosse igual ao dos teus braços, onde eu costumava dormir. E eu não sei mais o que pensar, só algo mais obsessivo, que bate como um martelo e fere, um querer sufocante que não desaparece nas manhãs ensolaradas. Todos as pequenas coisas do meu dia-a-dia são todas varridas quando me olhas, me invades por dentro, corroendo o meu desejo inocente e desesperado. É algo ridículo ao qual não consigo sair, e posso dizer que é muito tarde para não quere-lo, e eu espero todo dia algo melhor que me faça não pensar em você.