quinta-feira, maio 18, 2017

Divagações profundas.

Pessoalmente, sinto maior proximidade com os anjos do que com uma ancestralidade que remonta a um passado pré-histórico no qual se concebe a origem da vida no lodo. E tu? Quaisquer que sejam os fatos com relação à hereditariedade humana, uma pessoa com integridade pode perceber um potencial que transcende as condições terrenas. De onde vem essa percepção? Certamente tem um impacto imediato maior do que especulações concernentes a uma ameba ancestral. Seria menos científico darmos ouvidos a essa voz intuitiva, do que ao processo laborioso do pensamento humano buscando contradições especulativas de evidências circunstanciais? O que é o homem? A triste conseqüência de chances insensatas? O mais complexo dos organismos e, portanto, a forma mais desenvolvida de vida que misteriosamente evoluiu da matéria viva mais elementar? Ou poderá ser que sua origem provém de uma instância mais elevada ao invés de uma inferior? Que tal olhar para cima em busca da resposta, ao invés de para baixo? O que seria olhar para cima? Bem, para baixo, neste contexto, encontramos um passado ancestral. Seria em direção ao que parecem ser derivações terrestres. Esta perspectiva nos leva a ver uma corrente de eventos com origem no vasto abismo do passado em direção ao sempre desconhecido futuro. A visão que se orienta para baixo é sustentada pela eterna aquisição de conhecimento sobre os fenômenos do mundo sob uma perspectiva temporal. A visão para cima, pelo contrário, nos faz lembrar a natureza eterna do momento presente e a causa maior do que existe nele. Tal causa presente será proclamada pelo sentido que temos do potencial transcendente dentro de nós: "Eu sou uma pessoa que aspira aos anjos! Posso não ter realizado todo meu potencial, mas sei que inerentemente está aqui para ser realizado". Dispendemos tanta atenção com a aparência das coisas, com os prazeres e dores, com a experiência do passado e as expectativas do futuro - em outras palavras, com aquilo que está abaixo - que o anjo transcendente desaparece de nossa visão. "Isso não existe!" diz a mente cética. Finalmente a pessoa se encontrará morta por dentro quando tiver perdido consciência do potencial de grandeza - seu sentido de afinidade com os anjos. Será alguma surpresa que tal pessoa acaba voltando ao pó onde encontra um sentido de afinidade? Que desolação! Que traição de si mesmo.

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