quarta-feira, dezembro 30, 2009

Uma pausa.

Sonhei que pintava meu nome nos teus braços, tu sorrias e eu chorava. Meus olhos pareciam uma tarde de verão quente e chuvosa, mas havia felicidade profunda.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Desertos.

Uma fé, em prosa, fora depositada como solidariedade. Ele apenas tinha sede. Não era a fome, não de um pedaço de pão, era uma sede profunda.
Daquilo que não se pode obter por dinheiro, somente a alma pode prover; e a dele sentia exaustivamente a falta de um alimento ao qual dia após dia tinham negado-lhe.
Os pés pareciam ressecados, mas eram fortes, procurando uma fonte de água em meio ao deserto de areias escaldantes. Havia confusão, noites solitárias, havia uma busca.
Havia uma fonte onde ele pudesse obter a fonte e sanar a sede, e ela possuia um rosto.
Ele avistara tal face em meio à agua - era uma ironia cruel do destino.
Quase enlouquecera, mas a fé parecia leva-lo nos braços, e isso era quase reconfortante. O rosto a sorrir em sua mente ainda não tinha apagado em meio século de peregrinação pela busca.
A voz dentro de si, tão doce a amorosa, gritava para procura-la pelo mundo; ELA, apenas ela, aquela garota de olhos negros e pele de neve.
Apenas ela o salvaria, apenas ela era o alimento e o líquido que poderia faze-lo completamente vivo.
Somente nela havia o AMOR ao qual ele tanto precisava.
Eram como dois corpos pertencentes a uma mesma alma, uma mesma batida de uma existência predestinada a pulsar em uma glória iluminada.

luzes de uma cidade em fogo

Há uma noite muito escura lá fora. Não tão escura porque há postes ordinários a iluminar as estradas por onde passam os carros loucos e irritantes da cidade.
Não me agito, permaneço sentada sem movimento, voando lentamente em circulos sem saber onde chegar.
Não dorme nada lá fora porque tudo nunca foi despertado. As ilusões que chegam adormecidas as mentes entorpecidas das pessoas, as iludem e depois se vão, alegres.
Eu realmente não sei o que faazer senão rir e esperar; o que poderia fazer então depois da porta verde?.
Há um caminho longo onde o tempo não há. Buracos negros sem dimesão e nada, nada mesmo. Tudo é nada e se deposita aqui dentro sem religião. Sem desapego, não há dogmas em minha alma, só flores.
Não morre nunca, renasce das cinzas e dá o seu salto quantico.Fenix alegre, não para nunca.
Então brilha, e a luz nunca se apaga.
Ilumina, como os postes dessa cidade derradeira e desaguada.

Noites de cheias ensolaradas.

O sol a pino era tão forte que me despertara no ápice do susto. A areia já não dava as caras até as proximidades das rochas que delimitavam a praia e as águas agitadas, parecia que o oceano inteiro fazia festa ao meu redor, furioso.
Havia somente o meu corpo a repousar tranquilo em uma poltrona velha de sala, e um coqueiro já intrépido, perdidos nos meios das águas ligeiras que ousavam invadir a areia. Meu fôlego subiu rapidamente, era terrível não saber para onde ir, ou se eu encontraria algum monstro marinho. Eu poderia nadar? essa aguas tinham profundidades? e que diabos eu estava fazendo dormindo em plena areia de praia ensolarada, numa poltrona de sala?.
Perguntei a mim mesma se aquilo não passava de um sonho, e a cada pensamentos, as aguas pareciam mais violentas - não me queriam ali. Percebi que não haviam saídas pela encosta dos muros brancos de pedras, só um meio perfil ao qual eu poderia andar e apoiar-se com muita dificuldade...mas eu ainda tinha pernas, e decidi sair do desespero e ir andando, passo a passo, para salvar a minha existência daquele cenário surreal.
Eu misturava coragem, desespero e serenidade. Não sabia com que sentimento ficar. A praia parecia linda e perfeita, mas a solidão misturada com o avanço desesperado do mar ali era estranho demais.
No proximo passo, para a glória, quando eu estava prestes a alcançar o mundo sem águas aflitas, percebo que o sonho-quase-real era apenas um sonho idílico; era também metáfora interna da minha alma, procurando o descanso em meio às desesperadas tentativas de encontrar uma saída. E que saída? talvez a luz no fim do túnel seja da lanterna que alguém deixou cair. Mas as pilhas acabam...

quinta-feira, dezembro 24, 2009

FELIZ FOME NOVA.











Deus não consome mentiras.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

o corpo e o tempo.;

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Um belo rosto pode ajudar muito, em um mundo de formas, ele te dá muitas glórias. É uma mentira. Não passa de um corpo, a parte de um corpo, um aglomerado de células em boas proporções temporárias. O pó de um corpo, já a muito tempo em decomposição, não se distingue do outro pó, são apenas restos de alguém que existiu, sem distinção de beleza ou feiura. Faz parte. E somos pequenas partes de uma grande parte.
Mais cruel é apenas deter-se no que pode ser belo; afinal, as formas não são tão puras e verdadeiras. Podem ser dissimuladas, fracas e corruptas, não te dão informação sobre o que acontece na profundidade do oceano.
EU não sou apenas um rosto, um corpo com saliencias e concavidades. Sou poeira cosmica acumulada em um corpo quase translucido, transbordante em sonhos e luzes ofuscantes. Uma estrada com encantos, mas sem transeuntes.
O que pode ser temido, usado e profanado não me interessa.
O beijo da feiura é dado, verdadeiramente, quando a superficialidade das aparências toma lugar do caráter das pessoas. Futilidade, talvez. Nunca acreditei em necessidades esteticas, ainda que, intuitivamente artistica, eu prime o belo. A beleza total está mais além de todas as incongruencias formadas ao redor do mundo, essa relatividade toda, talvez, não nos leve muito longe. Mas é reveladora.
O belo se compõe quando a alma, primeiramente, sorri, tornando o corpo tão belo quanto o belo que ditam os padrões. É aí que os olhos começam a brilhar, a alma a aquecer aos que ao redor passam, a voz torna-se como veludo, e o corpo, com manchas, com rugas, envelhecido, torna-se como um quadro pre-rafaelita. Sem máculas internas, mas um verdadeiro involucro marcado pelas sabedorias do tempo.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

"Hoje nos encontramos numa fase nova na humanidade. Todos estamos regressando à Casa Comum, à Terra: os povos, as sociedades, as culturas e as religiões. Todos trocamos experiências e valores. Todos nos enriquecemos e nos completamos mutuamente. (...)

(...) Vamos rir, chorar e aprender. Aprender especialmente como casar Céu e Terra, vale dizer, como combinar o cotidiano com o surpreendente, a imanência opaca dos dias com a transcendência radiosa do espírito, a vida na plena liberdade com a morte simbolizada como um unir-se com os ancestrais, a felicidade discreta nesse mundo com a grande promessa na eternidade. E, ao final, teremos descoberto mil razões para viver mais e melhor, todos juntos, como uma grande família, na mesma Aldeia Comum, generosa e bela, o planeta Terra."

LEONARDO BOFF
Casamento entre o céu e a terra. Salamandra, Rio de Janeiro, 2001.pg09

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Que se salve aquele que pode enxergar a verdade através do coração;

Escrito em Maio, 21 de 2007.

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Ela é uma criança que nunca quis nascer. Veio ao mundo, e por fatores externos, foi moldada num tipo de criação que a fez estragada do jeito que é até hoje. Valores infantis que são apagados eternamentes, até mesmo quando vocÊ cresce.Quem sabe oque é ser tolhido sentimentalmente de sonhos infantis? um dia nós acordamos e perguntamos por essa lógica.Mas ela nunca notou que todos os seus problemas estão culminando lá na infancia soberba e paparicada por sua mãe; a senhora rainha. Não percebe a própria gravidade da psicologia egoista que se instalou em seu ser, e assim vai vivendo como um senhor feudal: mandona, tirana e ruim. Mas uma maldade inrustida, como diria Alice no País das Maravilhas.Ela acha que, dando dinheiro aos seus ´´amigos´´ estará ajudando à sua alma; procura redenção mas não acha. O cerne de seus problemas esta nos sentimentos, é algo tão óbvio ao seu redor. É como um pássaro ferido e amendrontado que se recusa a sair da gaiola, e se o impurram para voar ao mundo, ele ameaça, fica agitado. Mas o pássaro, saibam, não sairá da gaiola, porque ele nasceu lá, e foi tolhido de todas as suas atividades; portanto, não conseguirá voar nunca mais. Nos, humanos, veja que maravilha, temos a oportunidade de recomeçar! e não importa qual seja o problema, sempre irá ter alguem perto de nós dando apoio. Basta que aproveitemos essa ajuda e deixar por uns minutos o orgulho de lado(e vc não sabe como ele pode ferir alguem!).
Temos tantas virtudes que outros seres vivos não possuem e veja só: transformamos os nossos nobres sentimentos, nobres atitudes e virtudes em COISAS ruins, destrutivas.Porque dormimos tanto? nesse estado incosciente de alma?
Ela é só mais um exemplo do nosso sonambulismo. Talvez não seja digna de julgamentos, apenas, de compreensão. E talvez não tenha culpa de ser o que é; eu me questiono. Será que terá um dia certo para ela acordar e olhar tudo nitidamente? curar sua miopia interna? eu espero.
O que me leva escrever tudo isso é a compaixão que sinto por ela, embora por alguns segundos não pareça. Quero entende-la, na verdade, quero entender os humanos, e antes, a mim mesma. E por isso, por tal afeto, estarei entendendo a mim mesma; é um troca justa. Não que eu espero receber sem dar, o que eu faço é me doar na medida do possível(ainda me resta algum orgulho).
Estamos todos interligados, acredite, tudo está interligado. Não precisei ler inumeros livros para chegar a esta verdade, é algo ao qual eu posso sentir.
Entenda que tudo o que fizeres, faça com amor, porque isso refletirar-se no Universo e tudo ao seu redor. É algo bonito de se falar, mas na realidade, muito raro de se ver.
E não serei egoísta pensando que os que estão por aí fazendo atrocidade são estúpidos. De fato, saõ estúpidos, mas de uma certa forma estão fazendo isso para aprenderem algo. Ou por que querem. Ou porque gostam. Ou porque esperam Godot, assim como eu espero os anjos no meu entardecer.
Ainda não possuem a consciencia necessária para suportar o próprio desespero. Estão ali porque querem, escolheram, e mesmo que incoscientemente, escolheram e isso revela muito de suas almas,o centro do seu ser.
Eu desisti de forçar as pessoas à serem mais ´´evoluídas´´, eu apenas observo, tento ajudar, e evoluo com elas. Mesmo as mais primitivas possuem algo a me ensinar. Afinal, de que adianta ser ADIANTADO, se não possues humildade o suficiente para olhar o teu irmão e querer ajuda-lo, não importa em que circunstancias ele esteja?
Um grande poder nas mão de um ínsábio torna-se tirania.
E tirania é o que o mundo não precisa.



Me pego impressionada com alguns textos ou pensamentos mais ´´lúcidos´´ de quando eu era mais jovem do que hoje, esse foi de 2007, estamos em 2009. A velhice tem feito o pessimismo desenvolver aqui dentro de mim? eis a questão.

terça-feira, dezembro 15, 2009

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Ahh...

Me encontro apalpando algo dentro do meu tórax como um médico procura a doença em um corpo aberto. Sangra, mas eu insisto.
Não sei a que procuro - se a mim mesma, ou ao teu rosto.
Tornamo-nos apenas um.
Uma dor, quase alucinante, do lado esquerdo do meu peito, chama o teu nome.
A falta da tua gloriosa imagem ao meu lado, constrói muralhas entre a felicidade e o desespero.
A cada tic-taquear do relógio, meu coração ansia por encontrar o teu numa imensidão perdida.
Talvez se eu pudesse correr tão depressa, o destino seria apenas ir aos teus braços, e aí me perder para nunca mais voltar.
Tento preencher a noite altiva e invivída com palavras para esquecer que estou aqui, e não do teu lado. Mas isso não me basta, te-lo apenas na memória não me aquece.
E o silêncio gultural é tão assustador como jamais foi.
A minha fome do teu amor é grande, ruge como um leão, é como uma fogueira a trepitar na escuridão.
Queima, mas aquece verdadeiramente.

domingo, dezembro 13, 2009

Éstorias sem fim.

Em que momento percebi que sangrava por dentro? um temporal de palavras mal calibradas, outrora, tomara conta de mim. E tudo havia de tornado amargo. Havia chegado ao fim. Um amor falso tirara dos meus braços algo que era para ser meu. Eu o fiz, o amei mesmo sem o conhecer. Era meu, e ainda o é.
Amargo, tristemente amargo. Eu estava desvairado a cada dia, o sol feria a minha pele, brincava com a minha dor. Apenas a chuva me confortava; parecia querer entrar dançando pelas janelas para limpar a minha alma que se enchera de dor.
E onde ela estava? aquele rosto distante, mais ainda vivido, onde estava? perdendo-se também, junto com o meu passado, presente e sem futuro?. Parecia como um oasis em meio a um deserto escaldante o rosto dela, a sorrir nos meu reconditos internos.
Era a única coisa a brilhar na escuridão das minhas noites solitárias.
Tão lindo e irreal que começava a me deixar louco em pensamentos rotativos e quebrados, pulsando algo que não era sangue. Uma esperança, sem crença, piscava como as luzes do natal dentro de mim.
Eu sabia que ela estava caminhando por aí,um pouco perdida, desejando o meu amor, eu sabia, a minha alma gritava sempre por ela.
Era brigar com a minha imaginação ou acreditar que eu vira o futuro, um pedaço dele, e a face dela ficara pintada nas paredes do meu coração. Não havia como negar, era como senti-la, cria-la, mas sabendo assim, misteriosamente, que em alguma parte do mundo, aquele rosto tinha um coração que pulsava docemente, esperando por mim.
Esperando esse triste e solitário cavalheiro, de alma azul e olhar apatico, que escreve reinterancias numa tentativa de arrancar a dor que lhe fere o peito.
Esperando-a como uma cura, como um milagre cheio de amor que sare todo o meu interior e faça-me novamente livre como os seus olhos misteriosamente negros.
Como posso ama-la mesmo sabendo que ela pode não existir?

domingo, dezembro 06, 2009

amor, calor.

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w, é dia e faz sol. teu corpo parece dolorido e cansado, ainda mesmo depois de tantas noites em descanso.
Observo-o dormir, alí na cama grande, tão encolhido que parece um bebê. Um sono que transmite a paz das nuvens.
Desejo estar sempre, e milimetricamente, perto da tua alma. Mas eu sei que, há dias em que meus olhos irao fazer chover.
Eu não sei o que pensar ao teu lado, coexisto sem noção de tempo e espaço desde que a amonotonia tomou o lugar dos meus batimentos cardiacos.
O teu coração parece trabalhar por mim.
Meus sentimentos criam asas que parecem com as tuas, e conduzem-me a algo mais verdadeiro do que outrora a soberba de palavras requintadas me prometera.
Não espera, alteia a rima com progresso e envolve-me nas tramas dos teus adulterios!
Não sei quando você volta a esse mundo, não posso acorda-lo. Talvez devessemos alçar voo eternamente ao sonho, assim poderiamos pulsar juntos.
Não parece doer o fato de perde-lo, eu sempre o tive. Ainda vai doer?, a ferida apenas esta começando a abrir, mas ainda não sangrou?.
Sabe o que dói? Você esteve existindo com uma febril vontade de amar; tantos passos para lá e para cá, e desde então, a luz que surgira novamente dentro de você serviu apenas para conduzi-lo de volta à casa.
Você desejou o amor e muitas vezes ele passou longe. Eu desejei o amor, e muitas vezes, ele passou por fora. Eis que, sem convites, algo bate em minha porta.
É como escutar as primeiras batidas de um ser que está por vir.
Meu coração ainda não tem muitas máculas, mas eu sei que, irrevogavelmente, ele sempre foi teu.
Eu não quero ter lógicas nesse exato momento, sentir já me basta.