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Um belo rosto pode ajudar muito, em um mundo de formas, ele te dá muitas glórias. É uma mentira. Não passa de um corpo, a parte de um corpo, um aglomerado de células em boas proporções temporárias. O pó de um corpo, já a muito tempo em decomposição, não se distingue do outro pó, são apenas restos de alguém que existiu, sem distinção de beleza ou feiura. Faz parte. E somos pequenas partes de uma grande parte.
Mais cruel é apenas deter-se no que pode ser belo; afinal, as formas não são tão puras e verdadeiras. Podem ser dissimuladas, fracas e corruptas, não te dão informação sobre o que acontece na profundidade do oceano.
EU não sou apenas um rosto, um corpo com saliencias e concavidades. Sou poeira cosmica acumulada em um corpo quase translucido, transbordante em sonhos e luzes ofuscantes. Uma estrada com encantos, mas sem transeuntes.
O que pode ser temido, usado e profanado não me interessa.
O beijo da feiura é dado, verdadeiramente, quando a superficialidade das aparências toma lugar do caráter das pessoas. Futilidade, talvez. Nunca acreditei em necessidades esteticas, ainda que, intuitivamente artistica, eu prime o belo. A beleza total está mais além de todas as incongruencias formadas ao redor do mundo, essa relatividade toda, talvez, não nos leve muito longe. Mas é reveladora.
O belo se compõe quando a alma, primeiramente, sorri, tornando o corpo tão belo quanto o belo que ditam os padrões. É aí que os olhos começam a brilhar, a alma a aquecer aos que ao redor passam, a voz torna-se como veludo, e o corpo, com manchas, com rugas, envelhecido, torna-se como um quadro pre-rafaelita. Sem máculas internas, mas um verdadeiro involucro marcado pelas sabedorias do tempo.
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