A chuva que começa a dançar entre as minhas janelas parece misturar-se ao balanço da minha alma ensopada. Levada pelo vento, entra por meus poros e repousa como pingos delicados parecidos com cristais. Sem vírgulas e projeções, começa a molhar a calçada e o casal que se beija escondido atras dos muros. Há algo que permanece intocável, chamativo e puramente limpo - é, eu só posso sentir. Algo amoroso, doce, envolvente como o calor de uma abraço verdadeiro. É nessas horas que eu começo a amar de verdade, sem saber explicar por que ainda continuo a achar que o fato de saber amar demais, as vezes estraga a moradia de minha alma. Ainda, e isso pode não ser verdade, continuo a pensar numa ajuda, como um olhar afetuoso que possa curar, e que de certa forma leve e limpe tudo embora, assim como quando acontece ao vir cair do céu águas sem fim...
O que repousa em mim é uma fé rosa em coisas reais e verdadeiras, assim como aquilo que rodopia no ar chamado COMPAIXÃO. E eu só me sinto bem dessa forma, sentido você como se fosse eu.
{É permidito doar-se ao outro ccom um amor desinteressado.}
Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração (Antoine de Saint-Exupéry)
quarta-feira, janeiro 28, 2009
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Isso é para vc, tripulante mio.
Existem duas coisas na vida : o medo e a esperança. Porque escolher o medo de entrar em você e ficar à deriva de pensamentos insanos, imaginando que a sua força se foi? A força está na solidão, sua força está em acreditar que você não é o que pensa. Ainda não acabou, algo nasceu e se chama Esperança, que berra de frio no bercario.
O medo é aquele do passado ao qual não pode ficar grudado em vc 24 horas, está exposto em um museu de Paris. Pense que a sua força está na solidão quando anoitece e tudo se aquieta, pois vc tb é a noite e a solidão que te atormenta.
Como não estar acompanhado de si e ir procurar identidades em espelho quebrados? é como desistir de si mesmo e é imoral. E a imoralidade aqui não dança mais por falta de pudor.
Mas a força esta na solidão digo-te novamente, pq é estando nela que se encontra a si mesmo depois de um tempo, e do medo não sobra nada.
O medo é aquele do passado ao qual não pode ficar grudado em vc 24 horas, está exposto em um museu de Paris. Pense que a sua força está na solidão quando anoitece e tudo se aquieta, pois vc tb é a noite e a solidão que te atormenta.
Como não estar acompanhado de si e ir procurar identidades em espelho quebrados? é como desistir de si mesmo e é imoral. E a imoralidade aqui não dança mais por falta de pudor.
Mas a força esta na solidão digo-te novamente, pq é estando nela que se encontra a si mesmo depois de um tempo, e do medo não sobra nada.
Não ter o que falar : falar qualquer coisa
Eu não lembro de ter deixado uma porta aberta, o que fiz de modo completamente estúpido foi jogar as chaves em um rio profundo para nunca mais encontra-las. Novamente? talvez, há inumeras possibilidades em um destino, mas é que eu só me permito à entrega de algo valioso, que não transborde areia demais e - o mais importante- não me faça reviver o passado. Novamente? sim, sempre. Reaprendo a amar, quando tudo nunca foi banalizado na realidade, continuarei amando como forma de sobrevivência. O que banalizei foi o meu amor, a minha mente, o pudor de meus sentimentos permitindo-me entrar em congruencias de um humano perfeitamente idiota e sem calefação. Cabe em mim também um pouco de tudo, até mesmo dessa idiotice fumegante. Mas eu sei que tudo isso está acontecendo só na minha mente, então faz de conta que tudo é um sonho e que eu não estou perdendo a consciência.
Lembre-se: É vc quem cria seus problemas, eles nunca poderão vir de fora. Esqueça-os, eles nunca existiram.
Lembre-se: É vc quem cria seus problemas, eles nunca poderão vir de fora. Esqueça-os, eles nunca existiram.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Leve com o vento...

Faz-me como o vento que corre ligeiro entre os campos de centeio, leva a chama da alegria entre eles, tão rápido que brincam entre as pequenas partes das folhas.
Destemido, vai a frente e não teme, mostra sujeiras, conforta quem chora, numa brisa suave e singela.
Entra pelas janelas sorrateiro e sopra em meus ouvidos :´´estou aqui´´, e então gira ao meu redor, levando o calor embora, brinca com os meus cabelos, parece uma criança.
Traz-me todos os dias, ideias orfãs, mensagens e cartas de amor solitárias, que vagam na imensidão, deixadas pelos humanos mais descuidados do planeta.
Eu, talvez, permaneça entre a profusão da dança dos ventos que me levam e trazem todo os dias quando eu não estou aqui.
Algo abstrato, mas tão real e tocante.
Destemido, vai a frente e não teme, mostra sujeiras, conforta quem chora, numa brisa suave e singela.
Entra pelas janelas sorrateiro e sopra em meus ouvidos :´´estou aqui´´, e então gira ao meu redor, levando o calor embora, brinca com os meus cabelos, parece uma criança.
Traz-me todos os dias, ideias orfãs, mensagens e cartas de amor solitárias, que vagam na imensidão, deixadas pelos humanos mais descuidados do planeta.
Eu, talvez, permaneça entre a profusão da dança dos ventos que me levam e trazem todo os dias quando eu não estou aqui.
Algo abstrato, mas tão real e tocante.
Cavaleiro desmembrado.

A janela larga, de vidros limpos refletindo um rosto e o outro lado do mundo vizinho.
Sentado ante a mesinha de madeira escura e bem trabalhada, como um movel antigo de estilo barroco, ele escrevia prostado ante o papel como se quisesse abraço-lo, conter o calor do abraço naquela carta.
Ela saberia, e ele tinha certeza de que ela saberia do amor não correspondindo ao qual ele tanto sofria dia e noite, ao tentar, frustantemente, colocar o que sentia em papeis já cansados pelo tempo.
A folhas sempre manchavam porque caiam lágrimas nelas, era inevitável. Tornava-se como uma convulsão crônica, uma tormenta violeta que nao cessava; e doia, doia demais, e seu coração estava sempre dilacerado pela imagem que o perseguia dia e noite.
Era dificil entender como pudera cair em uma paixão tão profunda; mas isso tão forte não poderia ser só paixão.
Seria um delírio, um sonho louco?
Ela sempre a chegar em corredores escuros, esbarrando nele, olhando-o profundamente e evitando-o como se tivesse medo, o medo de uma menininha frágil correndo de um lobo feroz.
Ela era tão linda, impossível de descrever, antes os seus olhos, o quanto havia de beleza nela.
A pele sempre tão imaculada e branca como o leite, os cabelos curtos e pretos, suaves, suaves...como o vento que soprava levando-os.
Encantadora.
Não sabia o que era mais absurdamente encantador nela ; era como a visão de um santo ante um milagre, uma explosão de dor e alegria, uma mistura dolorosa.
Mas dor não aquecia, ajudava a tornar o quarto mais frio e triste, como um combustível da tristeza e solidão.
Sentado ante a mesinha de madeira escura e bem trabalhada, como um movel antigo de estilo barroco, ele escrevia prostado ante o papel como se quisesse abraço-lo, conter o calor do abraço naquela carta.
Ela saberia, e ele tinha certeza de que ela saberia do amor não correspondindo ao qual ele tanto sofria dia e noite, ao tentar, frustantemente, colocar o que sentia em papeis já cansados pelo tempo.
A folhas sempre manchavam porque caiam lágrimas nelas, era inevitável. Tornava-se como uma convulsão crônica, uma tormenta violeta que nao cessava; e doia, doia demais, e seu coração estava sempre dilacerado pela imagem que o perseguia dia e noite.
Era dificil entender como pudera cair em uma paixão tão profunda; mas isso tão forte não poderia ser só paixão.
Seria um delírio, um sonho louco?
Ela sempre a chegar em corredores escuros, esbarrando nele, olhando-o profundamente e evitando-o como se tivesse medo, o medo de uma menininha frágil correndo de um lobo feroz.
Ela era tão linda, impossível de descrever, antes os seus olhos, o quanto havia de beleza nela.
A pele sempre tão imaculada e branca como o leite, os cabelos curtos e pretos, suaves, suaves...como o vento que soprava levando-os.
Encantadora.
Não sabia o que era mais absurdamente encantador nela ; era como a visão de um santo ante um milagre, uma explosão de dor e alegria, uma mistura dolorosa.
Mas dor não aquecia, ajudava a tornar o quarto mais frio e triste, como um combustível da tristeza e solidão.
el cat
O gato era quase como um demônio cospindo fogo pelos enormes olhos verdes amarelos. Olhos que lembravam-me os de uma cobra, daquelas que saem da água enquanto ninguém está acordado.
Os bigodes eram especiais, brancos e lisos como a corda de um violão, roçando entres os dedos dos meus pés, pedindo carinho.
Mas o arisco felino era magro, quase verde de magro, embora parecesse com um leão bem alimentado e incrivelmente sedutor.
Seu miado, mais fino que o som de um violino, quase não saia, era sofrido.
Gostara de mim, ou era isso que parecera; olhava-me com uma intensidade que me dava arrepios, parecia me convidar para o Pais onde a Alice maluca se aventurou a alguns séculos atrás.
Mas eu fiquei, contudente, polida, arrematada e seduzida por aquele olhar poderoso de cobra daquele adorável animal.
Logrei uma loucura, viajei no amarelo ( ou seria verde?) das selvas felinicas de meu interior, pulei para dentro num sobressalto e permaneci numa natureza essencialmente arisca, sem medos, cheio de riscos e impecavelmente delicada.
Os bigodes eram especiais, brancos e lisos como a corda de um violão, roçando entres os dedos dos meus pés, pedindo carinho.
Mas o arisco felino era magro, quase verde de magro, embora parecesse com um leão bem alimentado e incrivelmente sedutor.
Seu miado, mais fino que o som de um violino, quase não saia, era sofrido.
Gostara de mim, ou era isso que parecera; olhava-me com uma intensidade que me dava arrepios, parecia me convidar para o Pais onde a Alice maluca se aventurou a alguns séculos atrás.
Mas eu fiquei, contudente, polida, arrematada e seduzida por aquele olhar poderoso de cobra daquele adorável animal.
Logrei uma loucura, viajei no amarelo ( ou seria verde?) das selvas felinicas de meu interior, pulei para dentro num sobressalto e permaneci numa natureza essencialmente arisca, sem medos, cheio de riscos e impecavelmente delicada.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Pérola negra
Encontrei-o atrás de um pé de banana, estava assustado quando me olhou através de seus pequenos e escuros olhos. Parecia um anjo pintado de chocolate, com doçura cuspida pelos olhos e uma humilde aparência de criança sem brinquedo.
Foi como uma faca atravessando o meu coração, e é claro que ele sofria desde que nascera; era tão evidente em seus joelhos magros, esfolados, e o sangue coagulado sem tratamento, o ferimento aberto e deposito de areia.
Não dóia nada para ele, apesar de pouca idade, doia apenas e muito para a minha alma de passaro delicado.
Tive o impulso de pegar toda a minha vida, todo o meu amor, afeto, alimento de todos os 21 anos que recebi, colocar em um saco vermelho e alí entregar. Eu, prontamente falaria ´´ Pega, toma tudo para ti e vai ser feliz´´, mas de que realmente seria feita a felicidade fora da suavidade material? o que seria de uma criança doce em meio ao mato quente, a pensar em uma infancia mais colorida?
Brotavam em mim galhos venenosos, o desespero do entender de quem não tem e as lágrimas ameaçavam a minha presença. E se ele pensasse que eu estava chorando pensando que ele era um bicho?. Não, ele era um anjo, não um bicho, daqueles que andam sobre duas patas e que usam aquelas máquinas que andam nas ruas, não um íntimo incomodo desumano nas bombas de guerra.
Um anjo negro de pele, de olhos doces e tristes e fitar-me sem perguntas, apenas a elevar a minha visão do mundo que não tem, do mundo sem barreiras, do mundo de compaixão, levado sobre as minha asas como ouro que não se pode perder jamais.
Foi como uma faca atravessando o meu coração, e é claro que ele sofria desde que nascera; era tão evidente em seus joelhos magros, esfolados, e o sangue coagulado sem tratamento, o ferimento aberto e deposito de areia.
Não dóia nada para ele, apesar de pouca idade, doia apenas e muito para a minha alma de passaro delicado.
Tive o impulso de pegar toda a minha vida, todo o meu amor, afeto, alimento de todos os 21 anos que recebi, colocar em um saco vermelho e alí entregar. Eu, prontamente falaria ´´ Pega, toma tudo para ti e vai ser feliz´´, mas de que realmente seria feita a felicidade fora da suavidade material? o que seria de uma criança doce em meio ao mato quente, a pensar em uma infancia mais colorida?
Brotavam em mim galhos venenosos, o desespero do entender de quem não tem e as lágrimas ameaçavam a minha presença. E se ele pensasse que eu estava chorando pensando que ele era um bicho?. Não, ele era um anjo, não um bicho, daqueles que andam sobre duas patas e que usam aquelas máquinas que andam nas ruas, não um íntimo incomodo desumano nas bombas de guerra.
Um anjo negro de pele, de olhos doces e tristes e fitar-me sem perguntas, apenas a elevar a minha visão do mundo que não tem, do mundo sem barreiras, do mundo de compaixão, levado sobre as minha asas como ouro que não se pode perder jamais.
terça-feira, janeiro 06, 2009
Uma frase...
O coração situa-se na parte esquerda para lembrar que o lado da razão deve ser usado com amor, como milagres do céu que se juntam para brilhar na escuridão.
Como Júlia em julho
Júlia tornava-se incongruente a medida que expandia seus olhares ao mundo, que se mostrava sem limites através de suas vastas janelas. Sem dores gritantes e apenas uma enorme coragem colorida, ela pulsava como uma rosa em vermelho escarlate em meio ao jardim, tão linda e esplendorosamente ofuscante.
Feita de curvas e cristais brutos, uma incerta docilidade sem pudor guiava a sua interna criação de si mesmo. Se aumentasse o som de sua voz, poderia causar estrago à harmoniosa existencia a surgir como um anjo suave.
Absolutamente julho frio e Júlia calorosa em trilhos cobertos de neve a pensar fervorosamente, criando imagens coloridas numa tentativa de cobrir grande espaço branco e frio a surgir na sua frente, como uma velha tv em preto e branco.
Feita de curvas e cristais brutos, uma incerta docilidade sem pudor guiava a sua interna criação de si mesmo. Se aumentasse o som de sua voz, poderia causar estrago à harmoniosa existencia a surgir como um anjo suave.
Absolutamente julho frio e Júlia calorosa em trilhos cobertos de neve a pensar fervorosamente, criando imagens coloridas numa tentativa de cobrir grande espaço branco e frio a surgir na sua frente, como uma velha tv em preto e branco.
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