quarta-feira, janeiro 14, 2009

el cat

O gato era quase como um demônio cospindo fogo pelos enormes olhos verdes amarelos. Olhos que lembravam-me os de uma cobra, daquelas que saem da água enquanto ninguém está acordado.
Os bigodes eram especiais, brancos e lisos como a corda de um violão, roçando entres os dedos dos meus pés, pedindo carinho.
Mas o arisco felino era magro, quase verde de magro, embora parecesse com um leão bem alimentado e incrivelmente sedutor.
Seu miado, mais fino que o som de um violino, quase não saia, era sofrido.
Gostara de mim, ou era isso que parecera; olhava-me com uma intensidade que me dava arrepios, parecia me convidar para o Pais onde a Alice maluca se aventurou a alguns séculos atrás.
Mas eu fiquei, contudente, polida, arrematada e seduzida por aquele olhar poderoso de cobra daquele adorável animal.
Logrei uma loucura, viajei no amarelo ( ou seria verde?) das selvas felinicas de meu interior, pulei para dentro num sobressalto e permaneci numa natureza essencialmente arisca, sem medos, cheio de riscos e impecavelmente delicada.

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