Mostrando postagens com marcador U. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador U. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Noites de cheias ensolaradas.

O sol a pino era tão forte que me despertara no ápice do susto. A areia já não dava as caras até as proximidades das rochas que delimitavam a praia e as águas agitadas, parecia que o oceano inteiro fazia festa ao meu redor, furioso.
Havia somente o meu corpo a repousar tranquilo em uma poltrona velha de sala, e um coqueiro já intrépido, perdidos nos meios das águas ligeiras que ousavam invadir a areia. Meu fôlego subiu rapidamente, era terrível não saber para onde ir, ou se eu encontraria algum monstro marinho. Eu poderia nadar? essa aguas tinham profundidades? e que diabos eu estava fazendo dormindo em plena areia de praia ensolarada, numa poltrona de sala?.
Perguntei a mim mesma se aquilo não passava de um sonho, e a cada pensamentos, as aguas pareciam mais violentas - não me queriam ali. Percebi que não haviam saídas pela encosta dos muros brancos de pedras, só um meio perfil ao qual eu poderia andar e apoiar-se com muita dificuldade...mas eu ainda tinha pernas, e decidi sair do desespero e ir andando, passo a passo, para salvar a minha existência daquele cenário surreal.
Eu misturava coragem, desespero e serenidade. Não sabia com que sentimento ficar. A praia parecia linda e perfeita, mas a solidão misturada com o avanço desesperado do mar ali era estranho demais.
No proximo passo, para a glória, quando eu estava prestes a alcançar o mundo sem águas aflitas, percebo que o sonho-quase-real era apenas um sonho idílico; era também metáfora interna da minha alma, procurando o descanso em meio às desesperadas tentativas de encontrar uma saída. E que saída? talvez a luz no fim do túnel seja da lanterna que alguém deixou cair. Mas as pilhas acabam...

segunda-feira, dezembro 21, 2009

o corpo e o tempo.;

w


Um belo rosto pode ajudar muito, em um mundo de formas, ele te dá muitas glórias. É uma mentira. Não passa de um corpo, a parte de um corpo, um aglomerado de células em boas proporções temporárias. O pó de um corpo, já a muito tempo em decomposição, não se distingue do outro pó, são apenas restos de alguém que existiu, sem distinção de beleza ou feiura. Faz parte. E somos pequenas partes de uma grande parte.
Mais cruel é apenas deter-se no que pode ser belo; afinal, as formas não são tão puras e verdadeiras. Podem ser dissimuladas, fracas e corruptas, não te dão informação sobre o que acontece na profundidade do oceano.
EU não sou apenas um rosto, um corpo com saliencias e concavidades. Sou poeira cosmica acumulada em um corpo quase translucido, transbordante em sonhos e luzes ofuscantes. Uma estrada com encantos, mas sem transeuntes.
O que pode ser temido, usado e profanado não me interessa.
O beijo da feiura é dado, verdadeiramente, quando a superficialidade das aparências toma lugar do caráter das pessoas. Futilidade, talvez. Nunca acreditei em necessidades esteticas, ainda que, intuitivamente artistica, eu prime o belo. A beleza total está mais além de todas as incongruencias formadas ao redor do mundo, essa relatividade toda, talvez, não nos leve muito longe. Mas é reveladora.
O belo se compõe quando a alma, primeiramente, sorri, tornando o corpo tão belo quanto o belo que ditam os padrões. É aí que os olhos começam a brilhar, a alma a aquecer aos que ao redor passam, a voz torna-se como veludo, e o corpo, com manchas, com rugas, envelhecido, torna-se como um quadro pre-rafaelita. Sem máculas internas, mas um verdadeiro involucro marcado pelas sabedorias do tempo.