Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração (Antoine de Saint-Exupéry)
sábado, fevereiro 20, 2016
Moço.
O perfume dela era quase torturante. Delicado como uma flor, mas tão sensual que me matava lentamente por dentro.
Ela me fazia arder de desejos febris. Uma fome de querer ser amado e devora-la por inteiro.
Minha face, a mais cínica possível! queria disfarçar tanto fulgor para não assusta-la.
Os olhos grandes dela, ah, que olhos! pobre de mim, homem fraco de coração!
olhos tão puros e inocentes, misturado com a pessoa tão quente e sensual que ela era.
Um delírio imaginar tudo nela.
Um delírio pulsar tão forte por aquela mulher com face de garota.
Um delírio querer amá-la mais do que posso.
Like old vampires.
Queria dizer-lhe que sentia muita a sua falta. Ainda sinto. Vejo teu fantasma, as vezes, nas entrelinhas do mundo e por alguns segundos um sorriso surge em minha face. Na minha alucinação de dor, imagino você sempre ao meu lado, como nos tempos antigos, a andar de mãos dadas pelas ruas afora.
Trezentos anos e séculos nunca apagaram a chama desse amor que dentro de mim arde. Invernos siderais jamais ameaçaram alguma coisa. Preciso dizer que, se você escutou meu chamado, apareça. Onde quer que você esteja, estarei com você, mesmo que os crepúsculos não sejam os mesmos. E jamais foram.
Teu silêncio era tão bonito. Amava até mesmo teu barulho interno. Um ser esplendoroso, mais do que um simples amante, uma criatura tão mais humana do que esses humanos lá fora.
Na escuridão latejante, escuto uma música doce e arcaica: é tortura quando tudo me faz lembrar de ti.
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