quinta-feira, janeiro 17, 2008

Contos da meia noite silenciosa para o sempre.

Tudo que desaparece ao meu olhar, sucumbe ao universo sem uma lógica aparente;Quarto andar, tudo está silencioso.
Ele é um cientista, eu uma arqueóloga de almas humanas.
Ainda que prefira as flores, as pedras e os animais, eu me detenho naquilo que me forma - dentro para fora e fora pra dentro - e percebo algo sagrado em tudo. Deve ser porque quando observo não penso, apenas me misturo no silêncio das coisas, das coisas da vida ao qual foram esquecidas na superfície da pele ferida.
O que ficou no mundo senão apenas água salgada? invadiu tudo como se quisesse lavar a alma de tudo. TUDO, TUDO.
Nada ainda foi profanado, só a mente, tudo ainda permanece sagrado desde ontem quando acordei e percebi que havia algo além de tudo.Hoje também, mas é só isso que existe.
O sol nascia alegre, as nuvens se moviam devagar e algo de mim parou por alguns instantes. A noite cresceu, o dia surgiu e o sol despontou em seu horizonte, eu vi. Senti támbem, mas deve ser porque em horas assim nós nos permitimos ser. E somos o sagrado que a tudo permeia, nos fundimos com a vasta imensidão do Universo, que diz constantemente ´´psiu, estou aqui, faça silêncio´´.
Não importa se o galo canta na esquina assombrada, se minha mãe ronca no sofá com a tv ligada, se o morcego pia na escuridão, o silêncio não é abalado. Poucos percebem.
Ele dança noite a fora, e me seduz profundamente.
Perco alguns passos, o leite esfria, fico fora do ar por alguns instantes e nos tornamos melhores, amigos depois. Ou sempre, dentro de mim.
Não me invade em mil fragmentos porque sou feliz com a suavidade que tenho. Um copo de vinho derramado e ainda prefiro o leite puro e branco, se vc entender isso.
O silêncio, em seus barulhos, é tambem puro.
Eu quero você, eu quero eles, que quero o abraço mais tenro como a noite que chega, me seduz e me acalenta - sintetizados numa ausência de barulhos desnecessários.
Eu quero os grilos a cantarem em seu maravilhoso festival todas as noites. Sinto tudo como se fosse sagrado, e nada pagará por isso.
Fico aqui, não me detenho, vou mais além. Eu corro, eu grito, as vezes sou triste, mas ainda fico numa serenidade como aquela do oceano azul sem fim. É O SILÊNCIO de tudo que me faz refém dentro de um paradoxo ambulante num texto sem sentido.
Posso te falar de verdades nunca concebidas, posso te dar um beijo de despedida, posso te dar uma pedra fosca furada, mas nada substituirá a minha mudez de intervalos mal intercalados, do meu silêncio meditado.
PEGA a minha mão,não digas nada porque as palavras são desnecessárias e falam demais. Vamos andar juntos para sempre, falando apenas com o silêncio dos nossos olhares que se encontram e se beijam em cada minuto que passa.

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