Espero o trem do meio dia passar sentada perto dos trilhos, estou cansada, meus olhos pesam e a pequena Amelia olha-me com uma carinha de choro. Há sol escaldante pairando sobre o meu vestido branco, fazendo-me ainda mais reluzente em minha brancura pura. Chamo atenção, não tenho a cara desse povo daqui - eles são moreninhos e usam roupas surradas. Sinto-me mal, sinto támbem uma culpa inevitável de parecer uma bonequinha francesa frágil. Porque?
Se eu pudesse escolher a cor de minha pele, eu seria camaleão, que muda de acordo com seu ambiente. Não chamaria a atenção, não me sentiria menor ou maior. Não seria nada, senão mais um no sertão, lugar ao qual estou agora, sentada ao sol.
Estou aqui porque quero, as pessoas se espantam. ´´Moça, sai do sol´´.
- ´´ah, obrigada, estou confortável aqui´´.
Amélia ainda não entende, é muito pequena e não sabe de nada.
Me pergunta:
-´´ Porque gosta de ficar no sol?´´
Eu respondo-lhe:
- ´´ Deve ser porque eu queira dissipar a escuridão e iluminar mais´´
Ela
- ´´Mas o que estou vendo agora é uma mocinha que brilha´´
Talvez eu realmente não saiba onde estou vivendo.
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