sexta-feira, abril 02, 2010

renascimento.

A noite veio desesperada, me invadir por dentro, fez barulho por entre meus pulmões do mesmo modo como assobiam entre as frestas das janelas. Não tive medo - era um prazer poder respirar vida, voar por dentro, ter ar novamente em meus pulmões frageis.
O coração já havia sido enterrado na colina mais alta e fria de uma terra maldita, estava aprodecido, se recusara a bombear sangue quente.
O que não poderia ser mórbido nessa escala transeunte, de uma vida fria vivida em uma cidade sem sol? tudo se transformara desde que a fonte do calor que gerava vida em mim, havia ido embora.
Simplesmente ido embora, como um barquinho de papel indo embora com a correnteza para nunca mais aparecer.
Deixara criar limos em mim, minha alma mofara. A língua não pronunciava sílabas coloridas, apenas desenhava no ar um nome que me fizesse relembrar, de algum modo, que um dia eu tive vida. E chorei. E sorri. Mas vivi.
Então, um dia, me levantei da poeira. Abri a boca e gritei. Chamei o meu nome - me encolhera lá no fundo do corpo e me perdera em um mundo ilusório. E continuei a chamar o meu nome, ate que ficasse rouca.
E finalmente acordei; pulei em um sobressalto e minha mente se despertara de um longo pesadelo hipnotico. Onde diabos havia me perdido? dentro de mim? dentro da selva que habita em mim?
Corri para onde a voz me chamava, ecoava ligeiramente, levada pelo vento, e eu corria freneticamente.
Era a vida aquela voz - a minha própria vida querendo existir e ser colorida, novamente. ERA a vida, tão doce e pura!
Sim, então ela veio em forma de uma noite preta repleta de cores. Sim, de modo contraditório; veio enxer os meus pulmões de vida. Me fez respirar pela primeira vez e verdadeiramente, como um bebê que respira pela primeira vez quando vem a esse mundo.
Mas não chorei, eu sorri. Doeu, mas eu sorri de alegria - havia voltado ao meu estado puro milagrosamente.

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