domingo, junho 03, 2007

O passáro quase vermelho.

Já passava do meio dia, era sábado. Numa idade pequena, pacata, cheia dos seus encantos eu perambulava. O que eu estava fazendo no meio do Agreste? talvez tentando buscar o meu equilíbrio. A serenidade que só cidades pequenas possuem com suas árvores robustas, eu estava a procura dela.
Estava lá, só eu e ela.
Como sentia-me em paz olhando tantas e tantas árvores, é como se me reconectasse com o meu eu - a natureza; e o vidro do carro não parecia impedir aquela energia maravilhosa pois estava impregnada em todo lugar. Impossível não senti-la.
Questionava-me ´´ Porque nos afastamos tando da natureza´´?
Devia ser por isso que estavamos perdendo os sentidos.

Mas como toda viajem, eu precisei ir embora - estava acordando do meu sonho.
Senti fome, fome verdadeira. Mas era fome de que? alimento de alma, sentimentos?
Tudo se misturava.

Entrei então em um recinto; era simples. Um bar de beira de estrada, nada mais. UM som tocava alto, era agressivo e me agitava a alma, a música falava de um amor perdido.
Numa mesa larga e grande, postavam-se cavalheiros com suas posturas agrestinas e dissimiuladas, bebiam e discutiam. Imaginei com o que poderiam parecer ´´ os grandes filosofos num debate intelectual´´ ou´´ Homens medievais com suas postura bravas´´.
Olharam-me espantados; o que uma menina branquinha vazia ali, no meio daquela estrada deserta e escaldante?

Eu me perguntava o que ele poderiam esta conversando, e como poderiam estar ingerindo etanol e não o ar maravilhoso da cidade.
Perguntas que pertinam no ar e não vão embora. Típico de minha pessoa.

A comida estava boa, era simples, mas boa. Sou simples, gosto de coisas simples. Estava com fome; mas fome de que? minha barriga não tinha reclamado, mas eu tinha fome.

Foi então, em um momento fatídico, que no meio daquela confusão de vozes e música borbulhante que eu ouvi um canto. Era algo singelo e sofrido. Era o canto contido de um pássaro que tentava falar e se libertar na sua agitação frustrada. Titubeava voando pra lá e pra cá; como era lindo!. Tive o impulso de tira-lo e liberta-lo, libertar sua beleza aprisionada, mas seria pior!; sua asas provavelmente não saberiam voar.Tolhido.
Tinha a cabecinha vermelha, uma vermelho vivo, o corpinho branco e o as penas do rabo eram pretas como a sua dor...
Como sua beleza me tocava. ESTAVA fascinada, ele me chamava.
Fui, me entreguei ao chamado.
Olhou-me, eu o tinha amado. Olhinhos pretos incessantes e rápidos a olhar-me.
Como era lindo!
Com era contrastantemente lindo naquela feiura ao qual o tinham destinado : a gaiola.
O egoísmo humano o tinha tolhido para sempre.
Senti vergonha, pedi-lhe desculpas.
E ele entendeu,emitiu um assovio alto e longo, como se falasse - ´´está perdoada´´.

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