Vi alí, do outro lado da rua, uma criatura diminuta. Estava escuro, a rua estava úmida da chuva torrencial; tudo pairava sobre uma profunda e inquietante solidão. O cheiro da cidade grande me envolvendo era tão repugnante. Alí meu Deus, uma criatura que se encolhia com frio, sozinha. Pensei por uns segundos que fosse uma assombração, rezei para que fosse, rezei tanto que fosse.Uma ilusão do grande mundo e nada mais; uma névoa que surge para ferir e logo desaparece. Mas estava nítido, era uma criança diminuta, me olhava com olhos de fome, desespero suplicando por amor. O que eu poderia fazer? Queria pega-la em meus braços e dizer : ´´ Vem criança, vem pequenina, vou te dar de comer, serás minha irmã de coração´´.
Mas ela era filha do mundo, o que eu poderia fazer?. Alí largada, sem dó nem piedade, sem um mundo colorido, tão triste, tão desolada. O impulso foi vomitar todas as minhas riquezas internas e dar à ela, seria justo, seria acalentador?. Que futuro lhe pertence?
Não teve o calor de uma cama, apenas o frio de uma rua deserta.
Nunca mais tive paz em minha alma.
A compaixão tinha me visitado.
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