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Teu corpo quebrado, ausente do medo e pintado em desespero, chama a noite para o descanso da tua alma triste. Mas tu persiste em ficar aceso como as chamas de velas das catedrais; teu fulgor parece querer espantar os fantasmas da porta ao lado. Ficas sentado, com as pernas cruzadas em elegância magistral, com olhos parados melancolicamente para um espaço vazio, registrando lapsos de um coração ferido - algum dia você conseguiu enxergar através do fogo da lareira?. E teus lábios rachados de um frio que não existiu lá fora, mas se implantou dentro de ti. E o vento que soprara da tua boca, em forma de palavras rotas, eram como laminas afiadas de gelo que queimavam sobre a pele. Calor algum poderia deter isso, era tão nefasto e impotente como um leão faminto. Não derretias nem com os abençoados verões que por tua pele, imaculadamente branca, passavam.
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