quarta-feira, janeiro 07, 2009

Pérola negra

Encontrei-o atrás de um pé de banana, estava assustado quando me olhou através de seus pequenos e escuros olhos. Parecia um anjo pintado de chocolate, com doçura cuspida pelos olhos e uma humilde aparência de criança sem brinquedo.
Foi como uma faca atravessando o meu coração, e é claro que ele sofria desde que nascera; era tão evidente em seus joelhos magros, esfolados, e o sangue coagulado sem tratamento, o ferimento aberto e deposito de areia.
Não dóia nada para ele, apesar de pouca idade, doia apenas e muito para a minha alma de passaro delicado.
Tive o impulso de pegar toda a minha vida, todo o meu amor, afeto, alimento de todos os 21 anos que recebi, colocar em um saco vermelho e alí entregar. Eu, prontamente falaria ´´ Pega, toma tudo para ti e vai ser feliz´´, mas de que realmente seria feita a felicidade fora da suavidade material? o que seria de uma criança doce em meio ao mato quente, a pensar em uma infancia mais colorida?
Brotavam em mim galhos venenosos, o desespero do entender de quem não tem e as lágrimas ameaçavam a minha presença. E se ele pensasse que eu estava chorando pensando que ele era um bicho?. Não, ele era um anjo, não um bicho, daqueles que andam sobre duas patas e que usam aquelas máquinas que andam nas ruas, não um íntimo incomodo desumano nas bombas de guerra.
Um anjo negro de pele, de olhos doces e tristes e fitar-me sem perguntas, apenas a elevar a minha visão do mundo que não tem, do mundo sem barreiras, do mundo de compaixão, levado sobre as minha asas como ouro que não se pode perder jamais.

Um comentário:

Torreão disse...

Putz, pode crer.
Estou sem PC faz décadas, é uma forma de demonstração de desprezo em relação ao que é material..
UAHHAUHAUHAUHAUHAUHAUHA
Tu tais em recife?
Tá tudo tranquilo contigo?