Olhou-me, tinha um olhar cálido e sofrido, escondia algo dentro daquele corpo aparentemente cansado. Esquivei-me, algo nele me encantou por alguns segundos. Tive o impulso de arrancar a sua dor, leva-lo como uma criança no colo.
Mas era noite e o trem já surgia para levar seus passageiros caleijados do trabalho.
Fiquei, não tive coragem de partir. Caminhei até o derradeiro do homem solitário; estava chorando e tinha profundas olheiras. Meu bom Deus, o que teria acontecido com aquele cavalheiro tão lindo?
Perguntei-lhe ´´Senhor, estas bem´´?
Falou-me ´´Senhor? não ves que sou jovem o bastante para ser tratado desta maneira?´´
Retruquei ´´Desculpe-me, cavalheiro. Posso ajuda-lo em algo? me toca o coração ver-te desta maneira.Porque choras?´´
Ele, aparentemente assustado, enxugou as lágrimas e emperdigou a postura, que antes denotava alguem muito triste e cabisbaixo.
Perguntou-me então ´´E o que uma bela dama faz aqui a essas horas, sozinha, falando com um estranho? não tens idéia de como é perigoso?´´.
´´sei que é perigoso, meu caro. Mas a tua dor, aparente nessa escuridão, me tocou o coração, então não exitei em ajuda-lo´´ Falei-lle.
Ele pareceu ainda mais assustado com a demonstração de afeto, então percebi que aquele ser era totalmente desprovido de alguma companhia. Como foi triste concluir isso. Era tão lindo a sua tristeza, a sua forma de olhar e como punha as mãos nos bolsos e o sorriso escondido e branco resplandecendo na noite sem fim.
Simplesmente lindo.
Era noite, sim, era uma noite sem fim para tanto encanto.
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