E por um tempo perguntei-me se o galho era forte o bastante pra suportar o fardo que eu, desesperadamente durante a estadia do rio, queria carregar. Eram fontes novas, indecifráveis e incongruentes às quais colocava a minha frente como forma de escudo. Não me tornava nada, eu tentava ser como a existência de um cachorro sem palavras e mortalidade. Não me permitir, não trocar as correntes do bem, não derramar a vítima que se exibia em minha vitrine colorida ante o mundo.
Os suspiros dentro de mim já eram gritos por tantas mentiras inventas por mim; o que poderia ser o grito a ecoar nas ruas escandalosas na noite taciturna?
Criei um outro EU, perfeito, de cabelos coloridos e sorrisos escandalosos para desmascarar as minhas proprias satisfações sem temperos.
Eu já não sei em que direção ir.
Tenho-me tornado aquilo que não decido ser : um pacote cheio, inflado, dolorido e cheio de carga.
Não permitir-me adentrar em meu coração e vasculha-lo em busca de uma pureza que espero encontrar nos outros. Prefiro falar que sou um arco-iris que encanta por alguns minutos, uma coisa rara e tímida... que não gosta de aparecer por muito tempo por medo de ofuscar.
É como o mar, que vai e volta...minha vida tem se tornado uma profusão se sensações emaranhadas e sem sentido.
Tudo o que eu vejo parece ser irreal; tento, incansavelmente, buscar algo plausível para a minha mente, escavar buracos em busca de ouro.
Como invadi-lo sem penetrar e machucar suas feridas?
Como cura-lo e colocar em seu altar flores, para que ele não evoque a morte, as suas loucuras, suas doenças?
Como beija-lo e cura-lo profundamente?
AS vezes sou uma coisa e não sei dar nome a essa coisa, torno-me portanto, uma coisa não coisa. Um vazio, uma big bang mal sucedido e em fragmentos.
Um passarinho debatendo-se contra a janela da minha alma, esperando pra ser socorrido em sua fragilidade perfeita e emocionante.
Um cachorro que roda pela cidade, pedindo atenção e comida, tentando achar o seu caminho.Poderei e ser a metáfora que encontro em cada esquina? em estalos de beijos? e toques de pele?
Eu já não sinto o gosto doce da minha pele, o aroma do vento, o farfalhar das asas de uma borboleta. Tudo o que eu faço é existir em uma dualidade morta como uma flor despetalada.
E não sei pra onde ir, eu realmente não sei o que pensar, em que me deter, o que respirar, o que pensar( já não sei se penso).
Que cor escolherei amanha para pintar o meu mundo cheio de birras, ociosidade e ingratidão? cara, eu tenho sido tão estúpida comigo mesmo.
Desperdiçando tanto tempo, talento e intuição.
Como um cachorro louco que anda pela cidade, à noite, com suas botas a ecoar forte no asfalto, acordando bebês que dormem como anjos.
À chamar a atenção do cara que caminha com um coração ferido do outro lado da rua...
(não sabe ele que o meu foi moído e pisado à 300 mil anos atras)
acabo sempre atraindo o que tenho em mim, ou o que não quero ter e permito-me aconchegar.
estúpida, muito estúpida.
preciso acordar, help!.
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