O corpo, quando é ferido por dentro, expulsa água dos olhos e você chora. E lava a alma. Mas quando isso não acontece, os bolores aparecem e você fica azedo como um leite fora da validade. Não é uma regra, mas é um fato: o corpo grita de tantas maneiras, ou se expressa de várias maneiras na tentativa de existir com liberdade. Não só o corpo, mas o conjunto dele : a alma, as enzimas, as reações, os átomos. Como se fossemos um relógio, onde um mecanismo puxa o outro, em perfeita sincronia.
Em uma linguagem sutil, os sinais aparecem - dores, febre, alergias. Nem sempre escutamos.
Pudera! se não estamos atentos as necessidades dos nossos semelhantes, imagine da nossa biologia e além das plantas. Ignorar impera em quase todos os modos, é quase tão catatonico e cruel!
Eu não sei se o homem ainda acredita em algo chamado de ´´ escutar o coração´´, o que toca hoje é que virou moda criar rôbos. Mas esquecemos também que máquinas podem enferrujar e quebrar. Na verdade, isso só parece real quando se usa um estetoscopio. Mas o coração não é envolto apenas de músculos, veias e arterias - ele vai além, muito além e profundamente além do que podemos imaginar.
Mas continuamos no passo do materialismo e racionalismo extremo, e tudo o que pode ser extremo, corre o risco de excluir pequeninas coisas essenciais. Coisas que não podem receber um nome por serem grandiosas. Coisas que são nomeadas por palavras fofinhas e banalizadas. Coisas que são abstratas nas gramáticas, mas mais poderosas e concretas que a fé pregada com culpa nas Igrejas.
Eu sei que eu tenho um corpo, e que eu não sou ele. Mas enquanto o tenho, ele é o meu santuário. Mas ele não se resume à verdade : humano algum pode ser só um belo pedaço de carne.
Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração (Antoine de Saint-Exupéry)
segunda-feira, outubro 05, 2009
quarta-feira, setembro 30, 2009
Fruto.
u
Carola era tão rosa, seus lábios sempre tão vermelhos e vivos, brilhavam no sol forte. Suas bochechas pareciam perolas recem- nascidas no fundo do oceano mais profundo, e o seu segredo revelava-se quando ela sorria e ficava corada como um morango. Tão ingênua e tão altiva, que quase podia alçar vôo de encontro ao seu destino -que vento a tinha trazido tão alegremente?
Seus sapatos estavam sempre sujos - ela passava as tardes nas selvas de terra batida de sua casa; descobria-se ante as cortinas de um mundo onde ela ousava criar todo dia. E as descobertas quando não eram doces, poderiam ser amargas como um chocolate amargo, mas não intragavéis. Como crescer. Crescer assustava. Seus pais não pareciam alegres com tanto corpo e coisas sérias a se fazer, e estavam sempre reclamando. Era tão diferente do seu mundo doce, tranquilo e feliz. Crescer parecia como perder a cor e a roupa pura que os bebes nasciam. Ardente, dificil, sofrido. Ou talvez não, esse sentimento poderia ser apenas fruto do medo arranhado as paredes de seus pensamentos.
(to be continued)
Carola era tão rosa, seus lábios sempre tão vermelhos e vivos, brilhavam no sol forte. Suas bochechas pareciam perolas recem- nascidas no fundo do oceano mais profundo, e o seu segredo revelava-se quando ela sorria e ficava corada como um morango. Tão ingênua e tão altiva, que quase podia alçar vôo de encontro ao seu destino -que vento a tinha trazido tão alegremente?
Seus sapatos estavam sempre sujos - ela passava as tardes nas selvas de terra batida de sua casa; descobria-se ante as cortinas de um mundo onde ela ousava criar todo dia. E as descobertas quando não eram doces, poderiam ser amargas como um chocolate amargo, mas não intragavéis. Como crescer. Crescer assustava. Seus pais não pareciam alegres com tanto corpo e coisas sérias a se fazer, e estavam sempre reclamando. Era tão diferente do seu mundo doce, tranquilo e feliz. Crescer parecia como perder a cor e a roupa pura que os bebes nasciam. Ardente, dificil, sofrido. Ou talvez não, esse sentimento poderia ser apenas fruto do medo arranhado as paredes de seus pensamentos.
(to be continued)
segunda-feira, setembro 28, 2009
Once upon a time.
b
O ciumes doentio ali plantado no jarro de ouro, no pé da porta, queimava os sentimentos do meu coração dia e noite.
Revolvia a minha alma com violência como um vampiro que suga a
vitalidade de outrem. Não havia uma certa cor saudável e tocável nessa destreza
descontrolada, o que podia quebrar-se era tido como algo ingênuo.
E fora adormecendo os meus membros ao ponto de paralizar-me
por completo e depois nada me restou. Embora eu não fosse mulher de quatro ventos,
algo em mim ficou eternamente partido e eu fui levada para longe como uma pena.
E fui ficando em tuas incongruencias que não são verdadeiras - são tão feias!
revelaram-me uma ultraviolencia que meus olhos ousaram enxergar.
Você ficou com uma dor, a criou como um bebe e vc a adora.
Isso é como um combustível.
Eu tenho apenas uma ferida que não sara.
(isso faz sentido?)
O ciumes doentio ali plantado no jarro de ouro, no pé da porta, queimava os sentimentos do meu coração dia e noite.
Revolvia a minha alma com violência como um vampiro que suga a
vitalidade de outrem. Não havia uma certa cor saudável e tocável nessa destreza
descontrolada, o que podia quebrar-se era tido como algo ingênuo.
E fora adormecendo os meus membros ao ponto de paralizar-me
por completo e depois nada me restou. Embora eu não fosse mulher de quatro ventos,
algo em mim ficou eternamente partido e eu fui levada para longe como uma pena.
E fui ficando em tuas incongruencias que não são verdadeiras - são tão feias!
revelaram-me uma ultraviolencia que meus olhos ousaram enxergar.
Você ficou com uma dor, a criou como um bebe e vc a adora.
Isso é como um combustível.
Eu tenho apenas uma ferida que não sara.
(isso faz sentido?)
quinta-feira, setembro 24, 2009
Incommensurabile
Uma alegria
contida aqui no meu corpo
deveria ter sido cultivada
ao tempo que foi dado,
Eu caberia em outonos
siderais e embaixo do
meu sapato
Haveriam diamantes e
nada poderia ser pisado.
Depois da ausência, uma noite
caberia em mim como um efeito
placebo - Uma cura me transformaria.
Eu estaria a criar um mundo onde a tristeza
fosse cercada com arame farpado
e do campo, não pudesse fugir
Eu estaria protegida.
Quase
Uma garota, quase rota
Uma garota, quase aberta
ao ar de sua aurora,
que foge ao
evidente desterro da
noite quente.
Um quase com tempo perdido
Incompleto em espírito,
perdido completamente na alegria
Cultivada em tubos de ensaio e plastificada
Mas foi a minha dor, o presente
dado ao tempo
embaixo do meu lençol
que me aquecia de um inverno
criado pela minha tentativa
de tocar o incomensurável.
contida aqui no meu corpo
deveria ter sido cultivada
ao tempo que foi dado,
Eu caberia em outonos
siderais e embaixo do
meu sapato
Haveriam diamantes e
nada poderia ser pisado.
Depois da ausência, uma noite
caberia em mim como um efeito
placebo - Uma cura me transformaria.
Eu estaria a criar um mundo onde a tristeza
fosse cercada com arame farpado
e do campo, não pudesse fugir
Eu estaria protegida.
Quase
Uma garota, quase rota
Uma garota, quase aberta
ao ar de sua aurora,
que foge ao
evidente desterro da
noite quente.
Um quase com tempo perdido
Incompleto em espírito,
perdido completamente na alegria
Cultivada em tubos de ensaio e plastificada
Mas foi a minha dor, o presente
dado ao tempo
embaixo do meu lençol
que me aquecia de um inverno
criado pela minha tentativa
de tocar o incomensurável.
terça-feira, setembro 22, 2009
Poema de Ferreira Gullar.
e
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
*Lindo, não?
you know what? Marília de Dirceu era uma das sortudas, como essa, do poema rs.
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
*Lindo, não?
you know what? Marília de Dirceu era uma das sortudas, como essa, do poema rs.
Na pedra, eu sentei e cantei.
i
O corpo dele, ali parado e tão calmo é, invisivelmente, apenas um deposito de dor. Suas pernas quase bambas ao caminhar, constantemente fraquejam, apesar da corpulencia de seus membros. Os olhos profundos, porém tristes, parecem gritar por um afeto colorido e aquecido; seria o seu coração, transformado em pedra, a fonte de sua fragilidade?.
O coração dolorido e descuidado, que não bombeia sangue fresco e quente, apenas um líquido que lhe dá vida e frio.
Não, não é uma vida, é algo como uma criatura viva, diminuta, microscopica - ele sentia-se inútil com toda a sua fé arrastada para dentro do seu ego bem alimentado.
Não sobrara nada de sua alma, essa sim, tentava fugir initerrupitamente de seu corpo lascivante, tão mal amado.
Parecia que sua própria pele era como um invólucro de plástico, dando -lhe alergias irritantes demais para serem suportadas ao longo do dia.
Tão desatento, tão morto e seco, tão intenso em sua dor, tão intenso em sua fome de amor que sua existente alma iluminada esquecera de dar o segundo passo à glória.
Um pé atrás e o outro, quase roto, atrás, como se seu corpo fosse uma marionete mal manipulada, com as articulações quebradas. Era incerto.
Era também o que não sabia ser; escondia-se da própria sombra, como se ela fosse mostrar-lhe a verdade de sua destemida essencia.
O corpo dele, ali parado e tão calmo é, invisivelmente, apenas um deposito de dor. Suas pernas quase bambas ao caminhar, constantemente fraquejam, apesar da corpulencia de seus membros. Os olhos profundos, porém tristes, parecem gritar por um afeto colorido e aquecido; seria o seu coração, transformado em pedra, a fonte de sua fragilidade?.
O coração dolorido e descuidado, que não bombeia sangue fresco e quente, apenas um líquido que lhe dá vida e frio.
Não, não é uma vida, é algo como uma criatura viva, diminuta, microscopica - ele sentia-se inútil com toda a sua fé arrastada para dentro do seu ego bem alimentado.
Não sobrara nada de sua alma, essa sim, tentava fugir initerrupitamente de seu corpo lascivante, tão mal amado.
Parecia que sua própria pele era como um invólucro de plástico, dando -lhe alergias irritantes demais para serem suportadas ao longo do dia.
Tão desatento, tão morto e seco, tão intenso em sua dor, tão intenso em sua fome de amor que sua existente alma iluminada esquecera de dar o segundo passo à glória.
Um pé atrás e o outro, quase roto, atrás, como se seu corpo fosse uma marionete mal manipulada, com as articulações quebradas. Era incerto.
Era também o que não sabia ser; escondia-se da própria sombra, como se ela fosse mostrar-lhe a verdade de sua destemida essencia.
domingo, setembro 20, 2009
Livro.
- Não estou rindo. – Na verdade, eu estava chorando. – E, por favor, não vá você rir de mim agora, mas acho que o motivo pelo qual é tão difícil para mim esquecer esse cara é que eu realmente achava que o David fosse a minha alma gêmea.
- Provavelmente era. O problema é que você não entende o que essa expressão significa. As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as suas paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não. Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo, e depois vão embora. Acabou, Sacolão. A missão do David era acordar você, tirar você daquele casamento do qual você precisava sair, destroçar um pouquinho o seu ego, mostrar para você os seus obstáculos e vícios, despedaçar o seu coração para uma nova luz poder entrar, deixar você tão desesperada e fora de controle que você fosse obrigada a transformar a sua vida (…).
(Comer, rezar, amar – Elizabeth Gilbert – Pag 158)
- Provavelmente era. O problema é que você não entende o que essa expressão significa. As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as suas paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não. Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo, e depois vão embora. Acabou, Sacolão. A missão do David era acordar você, tirar você daquele casamento do qual você precisava sair, destroçar um pouquinho o seu ego, mostrar para você os seus obstáculos e vícios, despedaçar o seu coração para uma nova luz poder entrar, deixar você tão desesperada e fora de controle que você fosse obrigada a transformar a sua vida (…).
(Comer, rezar, amar – Elizabeth Gilbert – Pag 158)
Assinar:
Postagens (Atom)