segunda-feira, outubro 05, 2009

Percebes?

O corpo, quando é ferido por dentro, expulsa água dos olhos e você chora. E lava a alma. Mas quando isso não acontece, os bolores aparecem e você fica azedo como um leite fora da validade. Não é uma regra, mas é um fato: o corpo grita de tantas maneiras, ou se expressa de várias maneiras na tentativa de existir com liberdade. Não só o corpo, mas o conjunto dele : a alma, as enzimas, as reações, os átomos. Como se fossemos um relógio, onde um mecanismo puxa o outro, em perfeita sincronia.
Em uma linguagem sutil, os sinais aparecem - dores, febre, alergias. Nem sempre escutamos.
Pudera! se não estamos atentos as necessidades dos nossos semelhantes, imagine da nossa biologia e além das plantas. Ignorar impera em quase todos os modos, é quase tão catatonico e cruel!
Eu não sei se o homem ainda acredita em algo chamado de ´´ escutar o coração´´, o que toca hoje é que virou moda criar rôbos. Mas esquecemos também que máquinas podem enferrujar e quebrar. Na verdade, isso só parece real quando se usa um estetoscopio. Mas o coração não é envolto apenas de músculos, veias e arterias - ele vai além, muito além e profundamente além do que podemos imaginar.
Mas continuamos no passo do materialismo e racionalismo extremo, e tudo o que pode ser extremo, corre o risco de excluir pequeninas coisas essenciais. Coisas que não podem receber um nome por serem grandiosas. Coisas que são nomeadas por palavras fofinhas e banalizadas. Coisas que são abstratas nas gramáticas, mas mais poderosas e concretas que a fé pregada com culpa nas Igrejas.
Eu sei que eu tenho um corpo, e que eu não sou ele. Mas enquanto o tenho, ele é o meu santuário. Mas ele não se resume à verdade : humano algum pode ser só um belo pedaço de carne.

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