sexta-feira, junho 26, 2009

Interrogações à luz da bandeira.

0

O medo corrói. Você tenta engoli-lo mas cria um nó na garganta. É amargo. Não amargo como um chocolate amargo, mas como a amargura de quem entra em desespero. É pior do que ser engolido pela razão. O medo vaga pelas ruas, procurando vítimas - as mais frageis são as escolhidas. Ficamos em casa com o tédio, com o desamor, com o ócio ; formamos uma família formosa demais com todos eles. Mas eles não choram, eles reprimem o choro da alegria. É como um bebê que não vive em pleno desenvolvimento, é tão tolhido e mórbido que apavora.
Tornamo-nos como peixes em água lodosa, respirando o ar parado e frio de casa. Há tanto perigo na rua agora, que uma respiração pode ser fatal. Um vírus não é nada, tudo é o que o medo faz nas pessoas : as devora por inteiro. É como uma infecção mental, onde o caminhar distraído se torna algo paranoico, tapado com máscaras para cobrir o sorriso.
O que temos feito para merecer tudo isso?.
Se antes estavamos sendo como bactérias a destruir o mundo, hoje, surge algo minúsculo para provar que de patamar o homem não sobrevive.
E somos engolidos - pela razão, pelo medo, pelo egoísmo, pela cobiça, pela falta de sentimentos, pelo orguho. Mas se todos esses TERMOS são tão amargos, porque insistimos?
Por que não nos alimentamos do que pode ser saudável?
Eu não sei.

quinta-feira, junho 25, 2009

ele e ela

Ontem meu nome era João.
Hoje, como um cão sem dono e sem nome, a perambular pelas ruas sem coração, me perdi em canção de amor derretido.
Virei um animal, irracional, morri no olhar dela.
Roubado por dentro, fui arrematado por uma jovem sem emoção.
Emaranhado por suas palavras soltas demais, me perdi nos caracóis de seus cabelos.
E, sim, para doer tanto assim, ela robou o meu coração.
Fiquei entre a cruz e a espada, e fui ferido por um não.

segunda-feira, junho 22, 2009

Ontem.

Sozinha, com roupas pesadas que não lhe convinham, quase monotonas se não fosse pelo cachecol vermelho como sangue. Seu rosto, branco como marfim, perfeitamente liso e desejavel ao toque era quase apatico. Seu corpo a caminhar, mas tão inerte em si, como se os passos estivessem saído de uma cirurgia, eram lentos demais. Onde estava, no entando, seu coração?esse sim, pulsava com alegria? feito de retalhos mal interpretados como cortina de avó.
Naquela noite, quando ela saiu, a esperança sempre lhe vinha à cabeça. Talvez houvesse uma glória, daquelas coloridas e contagiantes a espera-la na esquina. Um impulso da descoberta milagrosa, e era tudo que ela precisava.
O que encontrar dentro de sua alma? sentimentos fulgazes, que lhe brotavam na mente,inspiração elevante e quase epileptica quando as cortinas da sala mal iluminada e velha, lhes dançava ao olhar. Era quase real, e havia uma risada saudável a tocar pela casa, como música de algum fantasma perdido.
A mão doía, o braço não parava, a mente fervilhando, o coração sempre a ter uma taquicardia para contrastar com a noite tediosa que nascia dentro de si.
Para que tantas palavras, se numa realidade, elas não serviam pra nada? o silêncio parecia tão precioso.
Tudo o que ela podia ter eram decorebas cientificas, malfadadass e prometidas em um futuro milagroso.
Mas não era nada disso, era só algo repleto de cores e criação. Que tivesse também pernas, enormes olhos inocentes e que tivesse voz e cantasse quando todas as luzes de sua alma estivessem apagadas.
Era disso que ela precisava no fundo de sua alma.
Era mais, algo no pico da montanha, a gritar : ´´Eu te amo e sempre te amarei´´ e ficar rouco. A brilhar incessantemente e ser reprimido sem a piedade dos santos das igrejas.
Mas todos nós sabemos que o amor nunca se reprime ou nunca é para ontem.
Então eu fico. É presente.

Imagine o que vc não percebe.

8

eu

creio que os sensiveis

são as pessoas mais especiais do mundo

pq são elas que olham pra luz, apontam pra ela

e senguem o caminho dela

chamando aos que não a possuem

sexta-feira, junho 19, 2009

uuuuuuuuuuuuhe

Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

quinta-feira, junho 18, 2009

Carmin.

Teus lábios tão cálidos, me iluminam como luzes de uma cidade quente em fulgor.
Tocam-me em saltos inesperados, quebram o gelo de minha superfície como lua inabitada.
Entramos em mundos diferentes antes já explorados e incessantemente adorado : amei-te.
Sem fôlego para esperar o amanhã, redescobrimo-nos, e em teus olhos cabiam todas as estrelas.
Toca-me, pega-me, toma da minha respiração sem pudor, já estou em ti.
Já estive por tanto tempo em ti, que voltar parece impossível.

quinta-feira, junho 04, 2009

I want u.

O frio da rua agitada, levantando meus cabelos pra trás, como um cavalo que corre veloz.
Eu fico e meus devaneios sobem aos céus como delirios coloridos; em que rua meu coraçao foi abandonado?
Meus pensamentos cantarolantes também dançam entre os postes frios, buscando a tua imagem. Me congela, é tao tocante. Me aquece, é tao febril.
Vc diz algo entre os ares enquanto fuma o cigarro pousado entre as maos, e eu aqui escuto como valsa as tuas sílabas.
Onde há amor nao há escuridao, e isso me aquece.
Amor? sim, eu te aqueço.