Sozinha, com roupas pesadas que não lhe convinham, quase monotonas se não fosse pelo cachecol vermelho como sangue. Seu rosto, branco como marfim, perfeitamente liso e desejavel ao toque era quase apatico. Seu corpo a caminhar, mas tão inerte em si, como se os passos estivessem saído de uma cirurgia, eram lentos demais. Onde estava, no entando, seu coração?esse sim, pulsava com alegria? feito de retalhos mal interpretados como cortina de avó.
Naquela noite, quando ela saiu, a esperança sempre lhe vinha à cabeça. Talvez houvesse uma glória, daquelas coloridas e contagiantes a espera-la na esquina. Um impulso da descoberta milagrosa, e era tudo que ela precisava.
O que encontrar dentro de sua alma? sentimentos fulgazes, que lhe brotavam na mente,inspiração elevante e quase epileptica quando as cortinas da sala mal iluminada e velha, lhes dançava ao olhar. Era quase real, e havia uma risada saudável a tocar pela casa, como música de algum fantasma perdido.
A mão doía, o braço não parava, a mente fervilhando, o coração sempre a ter uma taquicardia para contrastar com a noite tediosa que nascia dentro de si.
Para que tantas palavras, se numa realidade, elas não serviam pra nada? o silêncio parecia tão precioso.
Tudo o que ela podia ter eram decorebas cientificas, malfadadass e prometidas em um futuro milagroso.
Mas não era nada disso, era só algo repleto de cores e criação. Que tivesse também pernas, enormes olhos inocentes e que tivesse voz e cantasse quando todas as luzes de sua alma estivessem apagadas.
Era disso que ela precisava no fundo de sua alma.
Era mais, algo no pico da montanha, a gritar : ´´Eu te amo e sempre te amarei´´ e ficar rouco. A brilhar incessantemente e ser reprimido sem a piedade dos santos das igrejas.
Mas todos nós sabemos que o amor nunca se reprime ou nunca é para ontem.
Então eu fico. É presente.
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