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O medo corrói. Você tenta engoli-lo mas cria um nó na garganta. É amargo. Não amargo como um chocolate amargo, mas como a amargura de quem entra em desespero. É pior do que ser engolido pela razão. O medo vaga pelas ruas, procurando vítimas - as mais frageis são as escolhidas. Ficamos em casa com o tédio, com o desamor, com o ócio ; formamos uma família formosa demais com todos eles. Mas eles não choram, eles reprimem o choro da alegria. É como um bebê que não vive em pleno desenvolvimento, é tão tolhido e mórbido que apavora.
Tornamo-nos como peixes em água lodosa, respirando o ar parado e frio de casa. Há tanto perigo na rua agora, que uma respiração pode ser fatal. Um vírus não é nada, tudo é o que o medo faz nas pessoas : as devora por inteiro. É como uma infecção mental, onde o caminhar distraído se torna algo paranoico, tapado com máscaras para cobrir o sorriso.
O que temos feito para merecer tudo isso?.
Se antes estavamos sendo como bactérias a destruir o mundo, hoje, surge algo minúsculo para provar que de patamar o homem não sobrevive.
E somos engolidos - pela razão, pelo medo, pelo egoísmo, pela cobiça, pela falta de sentimentos, pelo orguho. Mas se todos esses TERMOS são tão amargos, porque insistimos?
Por que não nos alimentamos do que pode ser saudável?
Eu não sei.
Um comentário:
Sara que lindo tudo isso!!! fiquei impressionado com a profundidade que vc atingiu...muito lindo parabens te adimiro demais.
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