segunda-feira, maio 28, 2007

Eu e minha prosa cadavérica;

Para os bons de alma, sou uma flor desabrochada, pois neles, não instalou-se ainda uma imagem miope de minha humilde pessoa. Façam silêncio, preciso crescer!
Para o meu coração, uma flor desbotada que ilude a polícia, rompe o asfalto.
Minha cor não se percebe, muito menos o meu brilho: estão guardados em uma caixinha de surpresas.
Minhas pétalas não se abrem, meu nome não está nos livros. Sou feia, mas sou realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde - onde só há concreto e almas vazias- para contemplar humanos desleixados e menininhas sem graça.
Sou a que passa insegura pelas críticas desalmadas de seres icognitos de mente, e os aliso, com carinho e amor - eles não perceberam quam eu sou. Precisam ser amados; são antes de tudo, bebezinhos que ainda não enxergam o suficiente.
Delicada, nãio inofensiva.
Não me apresente a sua miopia interna, sou uma flor! Possue espinhos, está lembrado?
[...]
E assim vou cantando, ferindo injustos e perfumando o caminhos das pessoas - furei o tédio, o nojo e o ódio.
Metade de mim é amor,mas ainda uma flor.
Vivo nas montanhas, perto das nuvens : também sou um sonhador.

[não me acorde, jamais!]
Sara Marinho de Araújo, com [pouquissima, na verdade] Intertextualidade(não é cópia) de Drummond.
Quem o conhece, sabe que texto é esse.

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