Junto ao teto, havi um enorme anjo barroco esculpido delicadamente. Parecia olhar-me furtivamente, seus olhos tinham sido feitos de vidro e dava-lhe um aspecto esttranhamente vivaz. Fiquei horas, dias, ou talvez ´séculos sentada, pensado ouvir a respiracao do anjo barroco, pensando ter visto ele falar, com sua voz de crianca sapeca, segredos que meu coracao nao ousou falar.
Era meia noite e o tempo transcorria, lá fora havia uma tempestade e a chuva já inundava toda a area da frente da casa. Eu estava triste, toda aquela chuva parecia querer falar comigo, entrar na casa e varrer todas as minhas desgracas, todas as minhas dores de alma.
De uma certa forma, se toda aquela agua que estava caindo do céu, entrasse em minha linda casa, eu estaria eternamente agradecida.
Não saberia dizer nunca, ou de alguma forma logicamente plausível porque me sentia tao letargica.
Talvez fosse a solidão de uma vida tão vazia, sem novidade, sem inspiracão. Sem folegos, sem tempo para olhar as cores do mundo.
Dentro de mim, eu estava desesperada.
Parecia afogar em mim mesma, de uma forma louca e sem fim...
Mas ó havia eu, e um maldito anjinho barroco a incendiar minha imaginacao, a me convidar pra dancar em seu olhar travesso, e despertar meus instintos mais doces...
A chamar meu coracão para ser amado, sem pudor.
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