sábado, julho 05, 2008

Tempos

A algum tempo atrás, que corria como um cavalo veloz, eu costumava deitar em minha cama de princesa e observar a tarde que desaparecia pela minha grande janela. Tentando resgatar todas as minhas imagens amadas agora em minha alma, eu me sinto dolorida. Nao porque elas tenham sido sofridas, ao contrário, foram mais felizes que os pássaros que costumavam pousar em minha janela. É algo tao bom que saltito pelo ar quando saio do meu corpo, me sinto aliviada ao pensar que nao tenho só aqui, mas o lugar ao qual eu costumava repousar o meu coracao e a minha mente. Faz muita falta, eu nao posso mentir, me faz muita falta. O branco de minha cama com dorsel e do meu chao de madeira, as minhas cortinas coloridas a sempre estarem debatendo com o vento, como se dancassem, a minha poltrona sempre ali, confortavel, a me embalar enquanto, na madrugada sem fim, eu me deleitava com os meus livros.
Os meus livros, meu Deus, agora estao tao longe que evito pensar neles. Mas uma dor pontiaguda que me dá no peito ao qual eu chamo de saudade, mas uma coisinha que incomoda e as vezes dá desespero.
E eu nao posso escolher pensamentos, melhor deixar todos eles por aí para que eu, com essa minha covardia de me achar em postes sem cor, chore desvairadamente.
Agora só posso adorar ao que tenho, já que o que tenho deve ser o que devo ter, e nao há do que reclamar, só agradecer.
Mas venhamos, as tardes nunca mais serao como aquelas, onde os anjos dormiam comigo, amontoados, com suas carinha rosadas e cabelos cacheados...
É o passado, o bom passado que nao volta jamais, que fica a desejar.

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