sábado, novembro 03, 2007

a tarde

Então era assim: chegava cansada e não falava muitas palavras, entrava no quarto e nunca sabia o que ia fazer no entardecer ,já que a opção de concentrar-se em algo era muito difícil. Até mesmo dormir ficava difícil, algo sempre agitava-a por dentro ferindo e ficar quieta era sempre muito complicado.
Num quarto frio e sujo, entregue sem sentido pairava uma tristeza incrível, não havia luz direta. Alguns dias bons e alegres, outros nem tanto - quando nada fazia sentido.
Alguns dias de glórias, outros de perdas e saudades. O que fazer, ela nunca estava presente, nao queria fazer parte da vida e não havia concordâncias com Ela - era ser ou não ser- mas a última negativa imperava em seu coração.
As vezes dava para controlar a dor com alguns versos. Sentava-e na cama, olhava pela janela e agitava-se: queria poder sair voando a nunca mais voar.
Então as palavras vinham e inundavam um espaço vazio do dia, da existencia sem sentido.
Até agora mais nada, e hoje mais tudo.
Perturbava, não condiziam com o que se passava em seu coração. E tudo o que ela queria era um conforto de um bem querer; tentando, numa hiperbóle desgraçada, achar amores perdidos em papéis amassados e idiotas, só porque eram algo bonito.
Mas nada durava, nem a a beleza, tudo era efêmero e escorria pelas suas mãos como areia fina e pura. Nada ficava, tudo ia embora - finais tristes. As pessoas também sempre desapareciam. Não, porque na verdade ela se escondia e em um mundo virtual não percebia que existia, então acordava para outra realidade - as das suas mentiras. Uma ilusão contundente, fora do contexto, como a palavra difícil, usada no texto só para impressionar.
Camadas superficiais de uma cebola que nunca acabam e a verdade, bem, o que é isso?
Vamos, vamos, vamos lá, o que há a se fazer depois de uma tarde, onde o céu está tão lindo que não dá vontade de ficar trancada em um quarto com paredes verdes e carpete bege sem graça, bagunçado, na poeira?
Haviam glórias voando pelo céu, levando palavras, mensagens, idéias e borbulhas de amor. E a vontade, a que imperava dentro e explodia, era a de viver. Acordar e viver, mas isso as vezes parecia insuportável.
Recobria o fôlego e tentava novamente, num mergulho desesperado para encontrar algo que nunca irá encontrar.
Eu não sabia, nem ela e,talvez, nem um formiga saiba.
Ainda continua sem saber.
Mas foi assim: olhando-se no espelho, descobriu-se em mil formatos, o que predominou, no entanto, foi um reflexo ofuscante.
Não existia.
NÃO ENTENDERÁ NUNCA, SÓ SE SENTIR.
Do coração, não com a mente.

Nenhum comentário: