Eu tive uma alma. a um longo tempo atras, poderia dizer que tive uma alma e ela brilhava como o sol acima dos meus cabelos. Era tão acolhedora e quente que atraia o mais frios dos sentimentos e ali se instalava como um ácaro escondido entre as fibras do meu travesseiro. E me causava mal. E me dava repulsa. Mas havia em mim tambem, e apesar de tudo, uma serenidade da profundeza de um oceano rico. Nada me abalava por muito tempo, sempre voltava ao estado natural dos átomos que serenissimamente repousavam em mim.
Sorrateiramente, para o meu espanto, um dia acordei e percebi que em mim não existia mais aquela pulsação da vida - o meu coração tinha sido roubado, arrancado de forma rude e levado com a minha preciosa alma. E uma dor lascivante ficou. E um frio foi depositado. E eu não mais brilhava - uma noite fora plantada em mim sem a ausência do calor humano. Sem lágrimas, e com muito sangue, como uma obra mal feita de um quadro modernista.
Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração (Antoine de Saint-Exupéry)
domingo, agosto 21, 2011
sábado, agosto 06, 2011
Pisadas na neve...
Nevava. Nevava demais ao meu redor. O branco puro me dava uma especie de pânico, minhas mãos já estavam ficando anestesiadas. Eu realmente odiava aquele frio.
não sabia para onde ir, estava perdida em um deserto de gelo,um deserto inteiramente branco e esteril.
Queria perder a paciência, deitar naquele colchao de gelo fofo e afundar nele, congelar até que meu corpo desistisse de gerar calor.
Mas havia algo que lutava dentro de mim, uma imagem, uma imagem gloriosa que não se apagava. Era tão doce que aquecia.
Por dentro, pedia fervorosamente que um anjo viesse do céu e me tirasse dali.
Queria ir de encontro ao que pulsava dentro de mim, ao amor que havia visualizado dentro de mim, e EU sabia que ele estaria alí, em algum lugar perdido.
Como pudera ir tão longe, em busca de solidão e silêncio? como pudera estar agora arrependida pelo ato idiota que havia cometido?. Como escolher as correntes da crença e da desesperança?
Eu caminhava a prumo, com botas pretas cheias de neve, atordoada, quase chorando, em busca, eternamente em busca.
Em busca de quem precisava de mim.
Meu corpo todo dolorido era fonte de uma tristeza que virara minha companheira velha; havia acostumado-me a dormir em torno dessa solidão que a tristeza me trazia, quando estava perto de mim e deixava marcas em minha pele.
Cansava, mas havia amor demais em meu coração, e isso me levava como em uma correnteza do rio.
É, então corri.Ouvira o barulho de um animal se aproximando devagar, depois, em uma olhava pude confirmar. Não sabia que animal era aquele, minha mente se turvara na adrenalina e no instinto de sobrevivencia.
Minhas pernas me levaram ao mais longe possível, meu corpo me levava, tudo me levava, quem me levava? Eu já não morava mais em mim.
O corpo cansado e dolorido, a mente confusa e o coração solitário tornavam-me um pacote de vida sem alma.
E então, desmaiei. Acho que apaguei por que quis me entregar, tinha chegado ao limite toda aquela loucura. Não suportava mais. Só queria encontra-lo.
Sim, foi uma boa sensação,todas as imagens na minha mente, o sorriso e aqueles olhos a fitarem-me me deixaram em extase. Era como presenciar o milagre mais lindo da vida. O animal já não estava mais lá (era apenas fruto de minha imaginaçã?); então me entreguei.
Meu corpo ali deitado no gelo, e a mente devagar, fraca...tentando sobreviver, apagou por um tempo ao qual eu não pude calcular, apenas me entreguei.
Foi então que, subitamente, alguem se aproximava.
Não soube como explicar, mas senti a presença ali com a minha intuição; uma alegria contagiou todo o meu corpo, como se uma carga eletrica estivesse me atingido.
Era algo incrivelmente surreal. Aqueles passos lentos tão familiares chegaram perto, tocou o meu rosto e depois o pulso.
Um toque quente e macio, depois uma voz aveludada ´´você está bem´´?, e meus olhos ainda tentavam entrar em foco para olhar um homem de olhos triste e barba mal feita.
Ele, era simplesmente ele - era ele quem aparecia em meus sonhos, chamando o meu nome, contando-me estorias. Era ele alí, como no sonho ( eu estava sonhado ou havia entrado no paraíso?)...aquele homem era apenas um anjo ou eu havia encontrado a minha busca?
não sabia para onde ir, estava perdida em um deserto de gelo,um deserto inteiramente branco e esteril.
Queria perder a paciência, deitar naquele colchao de gelo fofo e afundar nele, congelar até que meu corpo desistisse de gerar calor.
Mas havia algo que lutava dentro de mim, uma imagem, uma imagem gloriosa que não se apagava. Era tão doce que aquecia.
Por dentro, pedia fervorosamente que um anjo viesse do céu e me tirasse dali.
Queria ir de encontro ao que pulsava dentro de mim, ao amor que havia visualizado dentro de mim, e EU sabia que ele estaria alí, em algum lugar perdido.
Como pudera ir tão longe, em busca de solidão e silêncio? como pudera estar agora arrependida pelo ato idiota que havia cometido?. Como escolher as correntes da crença e da desesperança?
Eu caminhava a prumo, com botas pretas cheias de neve, atordoada, quase chorando, em busca, eternamente em busca.
Em busca de quem precisava de mim.
Meu corpo todo dolorido era fonte de uma tristeza que virara minha companheira velha; havia acostumado-me a dormir em torno dessa solidão que a tristeza me trazia, quando estava perto de mim e deixava marcas em minha pele.
Cansava, mas havia amor demais em meu coração, e isso me levava como em uma correnteza do rio.
É, então corri.Ouvira o barulho de um animal se aproximando devagar, depois, em uma olhava pude confirmar. Não sabia que animal era aquele, minha mente se turvara na adrenalina e no instinto de sobrevivencia.
Minhas pernas me levaram ao mais longe possível, meu corpo me levava, tudo me levava, quem me levava? Eu já não morava mais em mim.
O corpo cansado e dolorido, a mente confusa e o coração solitário tornavam-me um pacote de vida sem alma.
E então, desmaiei. Acho que apaguei por que quis me entregar, tinha chegado ao limite toda aquela loucura. Não suportava mais. Só queria encontra-lo.
Sim, foi uma boa sensação,todas as imagens na minha mente, o sorriso e aqueles olhos a fitarem-me me deixaram em extase. Era como presenciar o milagre mais lindo da vida. O animal já não estava mais lá (era apenas fruto de minha imaginaçã?); então me entreguei.
Meu corpo ali deitado no gelo, e a mente devagar, fraca...tentando sobreviver, apagou por um tempo ao qual eu não pude calcular, apenas me entreguei.
Foi então que, subitamente, alguem se aproximava.
Não soube como explicar, mas senti a presença ali com a minha intuição; uma alegria contagiou todo o meu corpo, como se uma carga eletrica estivesse me atingido.
Era algo incrivelmente surreal. Aqueles passos lentos tão familiares chegaram perto, tocou o meu rosto e depois o pulso.
Um toque quente e macio, depois uma voz aveludada ´´você está bem´´?, e meus olhos ainda tentavam entrar em foco para olhar um homem de olhos triste e barba mal feita.
Ele, era simplesmente ele - era ele quem aparecia em meus sonhos, chamando o meu nome, contando-me estorias. Era ele alí, como no sonho ( eu estava sonhado ou havia entrado no paraíso?)...aquele homem era apenas um anjo ou eu havia encontrado a minha busca?
terça-feira, agosto 31, 2010
Ela
As vezes, nas noites mais frias, ela acorda afogada em lágrimas, desesperada para livrar-se dos fantasmas de sua alma.
São sonhos, suspiros e gritos ecoados nas paredes; parecem fazer uma estática irritante em seus ouvidos, então ela chora, como se o choro expulsa-se tudo de ruim dentro de si em forma líquida.
Perdida ontem, hoje encontrada em sonhos vis, malfadados e desesperados. Porque tamanha dor se sustenta tamanha beleza? não se sabe; por acaso a rosa se fere com os seus espinhos?
Levanta-se e tem calor, faz muito calor no quarto. As janelas estão abertas e faz um frio lá fora; ela se sente queimando por dentro, e no fundo sabe que... sem dúvida ela sabe.
Chega a ficar se sentindo culpada por um sentimento irracional, desesperado e quase infantil; nunca desejou alguem tão intensamente a ponto de chorar e morrer de febre em dias frios.
Uma febre delirante que nunca existiu onde o seu coração é a única parte mais dolorida que pulsa emanando um calor ao qual não há ninguém para absorve-lo.
Nas noites frias ela chorava com o coração ferido, pobre menina. O que uma garota ultra-romantica poderia fazer num tempo desses?
sentimentos de plásticos!
O ódio, o desespero era por quem tentava esquecer e não conseguia.
Persistia noite e dia.
Nunca ia embora, nem mesmo a sua voz.
São sonhos, suspiros e gritos ecoados nas paredes; parecem fazer uma estática irritante em seus ouvidos, então ela chora, como se o choro expulsa-se tudo de ruim dentro de si em forma líquida.
Perdida ontem, hoje encontrada em sonhos vis, malfadados e desesperados. Porque tamanha dor se sustenta tamanha beleza? não se sabe; por acaso a rosa se fere com os seus espinhos?
Levanta-se e tem calor, faz muito calor no quarto. As janelas estão abertas e faz um frio lá fora; ela se sente queimando por dentro, e no fundo sabe que... sem dúvida ela sabe.
Chega a ficar se sentindo culpada por um sentimento irracional, desesperado e quase infantil; nunca desejou alguem tão intensamente a ponto de chorar e morrer de febre em dias frios.
Uma febre delirante que nunca existiu onde o seu coração é a única parte mais dolorida que pulsa emanando um calor ao qual não há ninguém para absorve-lo.
Nas noites frias ela chorava com o coração ferido, pobre menina. O que uma garota ultra-romantica poderia fazer num tempo desses?
sentimentos de plásticos!
O ódio, o desespero era por quem tentava esquecer e não conseguia.
Persistia noite e dia.
Nunca ia embora, nem mesmo a sua voz.
domingo, maio 09, 2010
sábado, maio 08, 2010
Whatt?

Quase.
Preciso te contar um segredo: eu não existo.
Fiz de mim um pingo de chuva que logo se desfaz em uma existência breve.
Não tenho passado, presente ou futuro. Não é preciso reinventar as minhas histórias de forma artesanal, não sou fabricada de modo algum.
Sou como um fantasma que voa em circulos sem destino à luz.
Se eu tenho asas? não sei, mas isso não me importa.
Tudo está assim porque era para ser assim? creio que sim.
Fazemos escolhas. Eu fiz escolhas, e ainda que tenha ferido a mim ou a outrem...
Uma rosa não pode se ferir com os seus proprios espinhos.
Não posso ser crua e cozida ao mesmo tempo.
obs.: São Paulo é uma selva de máquinas velozes! que inferno.
quarta-feira, maio 05, 2010
segunda-feira, maio 03, 2010
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